Juiz dos Resíduos e Capelas 1Origem e atribuições do cargo
Juiz dos Resíduos e Capelas
Descreve o cargo e o juízo dos resíduos e capelas na Madeira, que fiscalizavam os legados pios e as obrigações vinculadas a capelas desde finais do século XV até, pelo menos, 1829, e enumera os titulares conhecidos do cargo.
1Origem e atribuições do cargo
Tinha primitivamente o nome de Juiz dos Resíduos e Provedor de Capelas, Hospícios, Albergarias, Gafarias e Orfãos da Ilha da Madeira. Em 1486, foi provido neste logar João do Porto, que é o mais antigo de que encontrámos notícia. O cargo, que passou depois a ter atribuições menos latas, destinava-se principalmente a fiscalizar o cumprimento dos legados pios e encargos inerentes a muitas capelas e igrejas, e registo das propriedades oneradas com esses encargos, etc.
Em 1763, queixava-se o Corregedor da Comarca ao Governador e Capitão-General dos abusos cometidos neste juízo, mostrando a necessidade da criação dum Provedor de Capelas e Resíduos, a fim de pôr-se termo a tais desmandos e excessos. Refere-se ao tombo começado a organizar em 1590 e composto de oito volumes, dizendo que por eles se verifica que muitas capelas foram usurpadas á coroa ou aos seus legítimos possuidores. Desconhecemos que providências foram adoptadas acerca das faltas graves que se cometeram. Sabemo-lo, entretanto, que, no ano de 1800, se descobriram novos abusos praticados por João Luiz Pestana da Silva, escrivão do juízo, que se apropriou de uma importante soma proveniente de vários legados, falsificando para isso diversos documentos.
2Juízes dos Resíduos
O «Archivo da Marinha e Ultramar» dá-nos noticia dos indivíduos que exerceram o importante cargo de Juiz dos Resíduos e Capelas no largo período de tempo decorrido de 1493 a 1767, cujos nomes inserimos em seguida: Pedro Quaresma (1493), bacharel João Fernandes (1501), Afonso Costa (1535), Luiz da Guarda (1546), licenciado José Jorge (1555), Jácome Dias, Simão Cabral e o licenciado Gonçalo Mendes (1560), Liones Simões Homem e o licenciado Luiz Preto (1566), Manuel Rodrigues Pereira (1593), desembargador André Lobo e o bacharel Pedro Fernandes Tinoco (1597), desembargador Baltasar Fróis (1599); Belchior Tavares de Sousa (1639), António Tavares de Sousa (1682-1699), Francisco Moniz de Meneses (1705), António da Cunha Franco (1714), Agostinho de Ornelas e Vasconcelos (1718), Sebastião Mendes de Carvalho (1731), Pedro Nicolau Betencourt de Freitas (1752), António Dionisio da Silva Conde (1761), João José Betencourt de Freitas (1767), José Vicente Lopes de Macedo (1769), Pedro Nicolau de Betencourt e Freitas (1797).
3Conflitos, cartório e extinção
Á medida que se foram multiplicando os vínculos e morgadios, tornou-se muito considerável o número dos legados e dos encargos pios, que oneravam os prédios rústicos e urbanos, não sendo raro que os respectivos usufrutuários, procurassem subtrair-se ao cumprimento desses mesmos encargos. Esse tribunal, especialmente em assuntos de carácter religioso, nem sempre procedia com a devida isenção e de harmonia com as leis, dando-se por vezes graves conflitos entre os respectivos juízes e as autoridades eclesiásticas e vendo-se estas forçadas a recorrer ás estações superiores, a fim de serem cumpridas as disposições dos legados pios, que deveriam constituir o mais sagrado dever e a que ninguém poderia conscienciosamente eximir-se. Por vezes, o corregedor da comarca e o governador e capitão-general intervieram nesses conflitos, a fim de coagir o tribunal á observância das leis vigentes.
Tornando-se vinculada na Madeira a maior parte das propriedades e encontrando-se registados e arquivados no cartório deste tribunal todos os documentos respeitantes ás instituições vinculares, aos seus direitos de posse das propriedades e aos privilégios a elas inerentes, é fácil avaliar a importância que tinha esse cartório e o interesse que ainda pode oferecer para o estudo pormenorizado dessas instituições.
Julgava-se inteiramente perdida essa valiosa colecção de documentos, mas não há muitos anos que foi encontrada na antiga secretaria da administração do concelho do Funchal, achando-se hoje devidamente catalogada no Arquivo Distrital da Madeira. Fica assim rectificado o que foi dito a pág. 388 do I vol. do Elucidário (2ª. edição) acerca deste tribunal.
Ignoramos quando foi extinto na Madeira este tribunal, mas sabemos que ainda funcionava no ano de 1829. Nas administrações dos concelhos, com a implantação do sistema constitucional, exerciam-se muitas das funções privativas desse tribunal, que desde há muito caducaram.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 06-
João do Porto foi nomeado juiz dos resíduos, sendo o primeiro titular conhecido do cargo.
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Início do período abrangido pela lista arquivística dos juízes dos resíduos e capelas.
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O Juiz dos Resíduos e Capelas iniciou um registo de capelas em oito volumes.
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O corregedor queixou-se ao governador dos abusos no juízo dos resíduos e capelas.
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Descobriu-se que o escrivão do juízo dos resíduos e capelas tinha desviado dinheiro de legados mediante falsificação de documentos.
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O juízo dos resíduos e capelas ainda funcionava na Madeira.
Lugar
Lugares mencionados · 03- Arquivo Distrital da Madeira
Funchal. Local onde os documentos do juízo se encontram atualmente catalogados.
Local onde os registos do tribunal estão hoje catalogados.
- Funchal
O arquivo do juízo foi redescoberto na antiga repartição da administração deste concelho.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 26-
Juiz dos resíduos e capelas em 1535.
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Juiz dos resíduos e capelas em 1718.
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Juiz dos resíduos e capelas cerca de 1597.
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Juiz dos resíduos e capelas em 1714.
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Juiz dos resíduos e capelas em 1761.
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Juiz dos resíduos e capelas de 1682 a 1699.
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Juiz dos resíduos e capelas em 1599.
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Juiz dos resíduos e capelas em 1639.
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Juiz dos resíduos e capelas em 1705.
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Juiz dos resíduos e capelas em 1560.
+ 16 mais
- Henrique João Fernandesm. 1833
Juiz dos resíduos e capelas em 1501.
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Juiz dos resíduos e capelas cerca de 1560.
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Nomeado em 1486, foi o primeiro juiz dos resíduos conhecido na Madeira.
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Juiz dos resíduos e capelas em 1767.
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Escrivão do juízo que, em 1800, desviou dinheiro de legados mediante falsificação de documentos.
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Juiz dos resíduos e capelas em 1555.
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Juiz dos resíduos e capelas em 1769.
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Juiz dos resíduos e capelas cerca de 1566.
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Juiz dos resíduos e capelas em 1546.
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Juiz dos resíduos e capelas em 1566.
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Juiz dos resíduos e capelas em 1593.
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Juiz dos resíduos e capelas em 1597.
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Juiz dos resíduos e capelas em 1752.
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Juiz dos resíduos e capelas em 1493.
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Juiz dos resíduos e capelas em 1731.
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Juiz dos resíduos e capelas cerca de 1560.