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Teive 1Origem do apelido e filhos de Gaspar de Teive
Artigo Nº 3575 Família, apelido ou linhagem Vol. III · pp. 610–612 4 min de leitura

Teive

Entrada sobre a família Teive da Madeira, descendente de Diogo de Teive, que em 1452 celebrou um contrato com o Infante D. Henrique para construir o primeiro engenho de açúcar da ilha e instituiu um morgadio na Ribeira Brava. Apresenta membros que se distinguiram nas armas, ao serviço da corte e nas letras.

Teive

1Origem do apelido e filhos de Gaspar de Teive

Dizem o anotador das Saudades e vários nobiliários que este apelido de família «provem de Diogo de Teive, que no ano de 1452 fez um contrato com o infante D. Henrique, onde se diz escudeiro do mesmo infante, no qual se obrigou a levantar na ilha da Madeira um engenho de açúcar, o primeiro que aqui houve. Teve na Ribeira Brava e à parte do norte, muita terra de sesmaria e ahi fez morgadio».

A família Teive se foi ilustre pela linhagem e prosápia dos seus avoengos, não o foi menos, e com sobrada razão, por contar entre os seus membros alguns homens que notavelmente se distinguiram nas armas e nas letras, deixando nome aureolado na história deste arquipélago. Dalguns deles faremos rápida menção. Diogo de Teive, que foi instituidor do morgadio, teve vários filhos, sucedendo-lhe na administração da casa vinculada Gaspar de Teive, que exerceu importantes cargos palatinos, sendo contador da rainha D. Catarina e estribeiro-mor da princesa D. Maria, mulher de Filipe 2.°, e de D. Joana, mãe de D. Sebastião que acompanhou para Espanha, tendo ali falecido.

Gaspar de Teive deixou larga descendência e acerca dos seus quatro filhos Diogo, Pantaleão, Aleixo e Gaspar, transcrevemos textualmente, deixando-lhe todo o sabor antigo, o que encontrámos num escrito publicado há cerca de setenta anos e que nos parece ser do século XVIII: «D. Diogo de Teive que foi baptisado na mesma parochia de S. Bento da freguesia da Ribeira Brava, em Março de 1540, foi page e depois gentil-homem d'el-rei D. Filipe com o qual se achou na jornada de Inglaterra em o anno de 1544; e em Flandres lhe levou a celada no assalto Guintem. Passou ao Peru, d'onde voltou, servindo ao mesmo rei com aquela celebre pérola que se guarda no Tesouro Real, chamada Orpha, por se lhe não descobrir igual de 89 quilates. Por este serviço lhe fez el-rei mercê da vara de Alguazil maior de Penama com quatro mil pesos de renda em sua vida e na de seu filho nove mil cruzados de ajuda de custo para a segunda jornada, e o corrigimento de Ariquipa, com dois collegas no Peru, onde falleceu, deixando em Hespanha luzida descendência.

«D. Pantaleão seu irmão foi também gentil-homem do mesmo reino, e o maior sujeito de Hespanha em seus tempos, faleceu em Madrid, solteiro, por uma queixa de amores em 1569.

«D. Aleixo de Teive, irmão dos sobreditos, foi page do príncipe D. Carlos a quem assistiu até o anno de 1668 em que sucedeu a morte d'aquele desgraçado principe; foi muito valoroso e por ordem do mesmo R. se diz foi achado morto debaixo do Baliam das Damas com 24 feridas, na manhã de 28 de Novembro de 1573. «D. Gaspar de Teive, outro irmão seu creou-se no Paço onde foi ninho do principe e depois page da rainha D. Izabel, passou a Allemanha no anno de 1571 com os principes Arnesto e Ridolfo, d'este foi genti-homem sendo imperador e por seu mandado veio a Portugal cumprimentar a el-rei D. Sebastião a quem acompanhou na batalha de Alcácer e ali foi morto no dia 4 de Agosto de 1578.

2Outros membros ilustres

«António de Teive seu tio que nasceu no logar da Ribeira Brava em o anno de 1516 serviu no Paço a el-rei D. João 3.° e depois passou à índia onde ocupou vários postos até ser vedor da fazenda isento do vice-rei. Achou-se no cerco de Chaul e Goa, ultimamente voltando daquele estado desapareceu a nau em que vinha, deixando em Portugal descendentes de que procedem os senhores de Bayan.

«Fr. António de Teive, diz Henriques de Noronha no seu Nobiliário, foi frade de S. Agostinho, grande theologo e pregador, prior de Castello Branco e Villa Viçosa e foi D. Geral da sua província e visitador geral na índia onde morreu.

«Baltazar de Teive, diz ainda o já citado Henriques de Noronha, era filho de Diogo de Teive e nasceu no anno de 1508 nesta ilha; estudou em Paris e foi doutor em direito e de grandes speranças, que todas cortou, casando-se por amores com uma parenta sua em Braga contra vontade de seus pães e viveu pobre».

Diogo Barbosa Machado, na Bibliotheca Lusitana, dá este Baltazar de Teive como natural de Braga o genealogista Henriques de Noronha fá-lo nascido nesta ilha, sem indicação de lugar, e o distinto madeirense Agostinho de Orneias e Vasconcelos, que investigou cuidadosamente as origens e a descendência da família Teive afirma que ele nasceu na freguesia da Ribeira Brava, opinião que podemos aceitar sem temeridade. O mesmo Barbosa Machado diz que fora ele um distinto poeta latino, deixando algumas obras inéditas. Não podemos afirmar, mas temos algumas razões para acreditá-lo, que o conhecido escritor latino e jurisconsulto, Diogo de Teive, pertencia também a esta família ilustre. Os medianamente versados na história literária do nosso país sabem que este Diogo de Teive, foi, entre nós, um dos mais afamados escritores da língua latina do século XVI e um distinto lente na Faculdade de Bordéus e na nossa Universidade de Coimbra, para onde expressamente o chamou D. João 3.°, sendo ali um dos mais brilhantes ornamentos deste estabelecimento de instrução. Do madeirense Belchior de Teive distinto membro desta família, nos ocuparemos em artigo especial.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 07
  1. Diogo de Teive celebrou um contrato com o Infante D. Henrique para construir o primeiro engenho de açúcar movido a água da Madeira, atribuindo ao Infante um terço do açúcar produzido.

  2. Baltazar de Teive nasceu na Madeira.

  3. António de Teive nasceu na Ribeira Brava.

  4. D. Diogo de Teive foi batizado na Ribeira Brava.

  5. D. Pantaleão de Teive morreu em Madrid.

  6. D. Aleixo de Teive foi encontrado morto com 24 ferimentos.

  7. D. Gaspar de Teive morreu na batalha de Alcácer Quibir.

Lugar

Lugares mencionados · 04

No estrangeiro

Mapa: Madeira (4)
  1. Alcácer Quibir

    Morocco. Local da batalha em que morreu D. Gaspar de Teive.

  2. Igreja de São Bento

    Ribeira Brava. Igreja paroquial onde D. Diogo de Teive foi batizado.

  3. Peru

    Local onde D. Diogo de Teive serviu e morreu.

  4. Ribeira Brava

    Local onde a família Teive possuía terras de sesmaria e nasceram vários dos seus membros.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 11
  1. Madeirense que investigou a família Teive e situou o nascimento de Baltazar na Ribeira Brava.

  2. Pajem do príncipe Carlos de Espanha, encontrado morto com 24 ferimentos em 1573.

  3. Natural da Ribeira Brava, serviu D. João III e exerceu cargos na Índia; desapareceu no mar durante a viagem de regresso.

  4. Filho de Diogo de Teive, doutor em Direito por Paris e poeta latino, provavelmente nasceu na Ribeira Brava.

  5. Membro madeirense da família, tratado num artigo próprio.

  6. Autor da Bibliotheca Lusitana, que afirmou ser Baltazar de Teive natural de Braga.

  7. Escudeiro do Infante D. Henrique que, em 1452, celebrou um contrato para construir o primeiro engenho de açúcar da Madeira e instituiu o morgadio dos Teive.

  8. Sucessor no morgadio dos Teive, contador da rainha D. Catarina e estribeiro das princesas, morreu em Espanha.

  9. Genealogista cujo Nobiliário é citado a propósito da família Teive.

  10. Infante D. Henrique, com quem Diogo de Teive assinou o contrato para a construção de um engenho de açúcar em 1452.

+ 1 mais
  1. Filho de Gaspar de Teive e fidalgo da corte espanhola, morreu solteiro em Madrid, em 1569.

Na folha T

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