Teive (Belchior de) 1Família e magistério
Teive (Belchior de)
Biografia de Belchior de Teive, membro da família nobre dos Teive, da Ribeira Brava. Foi professor de Direito em Salamanca e Coimbra e, mais tarde, alto funcionário, militar e conselheiro privado de Filipe II de Portugal (Filipe III de Espanha). O Elucidário elogia-lhe o talento, mas condena o seu serviço à Coroa espanhola.
1Família e magistério
Como já referimos, pertencia Belchior de Teive a uma distinta e nobre família da freguesia da Ribeira Brava, que entre os seus membros contava alguns homens que verdadeiramente se notabilizaram em diversos ramos da actividade humana.
Conjecturamos que houvesse nascido nos primeiros anos do terceiro quartel do século XVI, sendo filho de Gaspar de Teive e de D. Ana de Brito irmão de Diogo, de Pantaleão, Aleixo e Gaspar de Teive, de quem nos ocupámos noutro artigo deste Elucidário, e neto de Diogo de Teive, o instituidor do morgadio dos Teives, que ficou vinculado nesta família. Tiveram seus pais 25 filhos, segundo afirma um conhecido linhagista, sendo o nosso biografado o último varão dessa distinta e numerosa descendência.
Desconhecemos quaisquer circunstâncias particulares da sua vida até o ano de 1581, em que já o encontramos lente da célebre universidade de Salamanca, regendo ali uma das cadeiras da faculdade de direito. No seu curso universitário deu certamente provas incontestáveis de raro talento e de extraordinário saber, para que aos 26 anos de idade tivesse sido chamado a fazer parte do corpo docente daquele famoso estabelecimento de instrução, o que constituía um facto bastante anormal naquela época Foi um dos mais ilustres professores no período áureo daquela universidade, então uma das mais notáveis e mais frequentada de toda a Europa. Também exerceu o magistério na Universidade de Coimbra.
Os seus reconhecidos méritos e aptidões tinham-no naturalmente indicado para o desempenho de outros importantes e elevados cargos. E assim vemos que, em 1607, abandonou o magistério universitário, em obediência ao convite de Filipe 2.° junto de quem exerceu lugares de grande responsabilidade e da maior confiança, chegando a ser um dos quatro ouvidores da Câmara daquele soberano e também um dos seus conselheiros privados.
Sabemos que Belchior de Teive fez uma brilhante carreira nos cargos e missões difíceis de que foi encarregado, mas escasseiam-nos os indispensáveis elementos para dar um nota detalhada de todos os lugares que desempenhou e da maneira como neles se houve, pormenorizando quaisquer factos ou circunstâncias que ponham em relevo as faculdades do seu espírito privilegiado.
2Cargos e serviço de Filipe 2.°
Atendo-nos aos nossos escassos apontamentos, colhidos dispersamente nas várias obras impressas e manuscritas que pudemos compulsar, diremos que Belchior de Teive, apesar de dedicar-se às letras e professar o magistério numa universidade, também seguiu a carreira das armas, que naqueles tempos, se considerava quase obrigatória e sempre extremamente honrosa para todos os que não se consagrassem ao serviço da Igreja. Foi como militar que D. Filipe o nomeou general e adiantado de Castela, que correspondia a governador daquela província e antigo reino, cargo que tinha então as mais latas atribuições. Foi também general da armada e superintendente dos oficiais dela.
Belchior de Teive exerceu importantes cargos na magistratura, sendo alcaide do crime da chancelaria de Valhadolid e depois presidente da Casa dos Alcaides.
Em 1607, foi pelo governo da Espanha enviado a Portugal como superintendente geral da fazenda pública, que nos parece ser um dos lugares mais graduados e de mais alta responsabilidade da época.
Como já deixámos apontado, gozou Belchior de Teive da privança de Filipe 2.°, sendo um dos quatros ouvidores da sua câmara e um dos seus conselheiros particulares.
Foi uma figura prestigiosa e de destaque no seu tempo, pelo seu extraordinário talento, importantes cargos que desempenhou e influência de que gozou entre os seus concidadãos. Barbosa Machado, na sua Bibliotheca Lusitana, diz que foi um distinto genealogista e que deixou algumas obras inéditas.
Ignoramos o ano da sua morte mas em 1621 ainda era conselheiro privado de Felipe 2o. Foi sem dúvida um homem de alta envergadura, mas de qualidades de carácter que muito deixam a desejar, pois se bandeou com os inimigos da sua pátria, pondo-se inteiramente ao serviço do rei de Espanha.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 03Lugar
Lugares mencionados · 06No estrangeiro
- Castela
Spain. Território do qual Teive foi nomeado adelantado.
Castela disputou as Canárias a Portugal, e Belchior de Teive foi nomeado adelantado de uma província daquele território. Aí se encontrava um fidalgo madeirense satirizado por Silveira no Cancioneiro de Resende.
- Coimbra
Portugal. Cidade da universidade onde Teive também lecionou.
Cidade universitária de Portugal continental onde muitos madeirenses estudaram Direito ou Medicina e onde o Padre Luís Gonçalves da Câmara lecionou e foi reitor do colégio dos Jesuítas. Acolheu o campeonato académico de ténis de mesa de 1921, e os seus dados de dormência e pluviosidade são comparados com os do Funchal.
- Portugal
País para onde Teive foi enviado como superintendente das finanças.
Portugal, a metrópole da Madeira. O Elucidário refere que, antes de 1877, foram enviados destacamentos de artilharia do continente para guarnecer a Madeira, que a ilha ficou ligada a Portugal por cabo telegráfico em 1874 e que, anteriormente, dali se enviavam pastel e ofertas de mel para o continente. As laranjas e as azeitonas do continente são comparadas favoravelmente com as da Madeira e de Porto Santo.
- Ribeira Brava
Freguesia de origem da família Teive.
A Ribeira Brava é uma das freguesias mais antigas da Madeira. Deve o nome à sua ribeira impetuosa e possui vila, porto e cais. O Elucidário aborda a sua igreja colegiada e as respetivas pinturas, o convento franciscano e as capelas, bem como a festa de São Pedro, com barco e dança das espadas. Regista também tumultos contra o sistema métrico e as mortes causadas por disparos das tropas sobre a população durante as eleições de 1884.
- Salamanca
Spain. Cidade da universidade onde Teive ensinou Direito.
Cidade universitária estrangeira. Gaspar Frutuoso doutorou-se ali em teologia, António Veloso de Lira estudou ali teologia e Belchior de Teive ensinou direito na sua universidade. Foi também a cidade onde vivia Rodrigo Álvaro Neto.
- Valladolid
Spain. Cidade onde se situava a chancelaria em que Teive foi alcalde do crime.
Sede da chancelaria onde Teive exerceu o cargo de alcaide do crime.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 08-
Professor de Direito nascido na Madeira, lecionou em Salamanca e Coimbra e tornou-se conselheiro e alto funcionário de D. Filipe I; é o tema deste artigo.
- Aleixo de Teivem. 1573
Irmão de Belchior de Teive, tratado noutro artigo.
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Mãe de Belchior de Teive.
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Autor da Bibliotheca Lusitana, que descreve Teive como um distinto genealogista com obras inéditas.
- Diogo de Teiven. 1540
Irmão de Belchior de Teive, tratado noutro artigo.
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Rei de Espanha e de Portugal, a quem Belchior de Teive serviu como juiz e conselheiro privado.
- Gaspar de Teivem. 1578
Pai de Belchior de Teive, teve 25 filhos, segundo um genealogista.
- Pantaleão de Teivem. 1569
Irmão de Belchior de Teive, tratado noutro artigo.