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Elucidário Madeirense Início
Incêndio em 1919 1O incêndio de Agosto de 1919
Artigo Nº 1851 Catástrofe ou calamidade Vol. II · pp. 275–276 3 min de leitura

Incêndio em 1919

Relato do grande incêndio florestal de agosto de 1919, ateado deliberadamente, que lavrou durante oito dias por grande parte da Madeira, alimentado pelo vento leste seco, e causou prejuízos superiores a 2 000 contos. Enumera as zonas atingidas e as pessoas que combateram o incêndio e atribui a desflorestação da ilha à indulgência para com os incendiários.

Incêndio em 1919

1O incêndio de Agosto de 1919

Depois do incêndio das matas da Madeira, ocorrido durante a vida de Gonçalves Zargo, o que maiores proporções atingiu e mais danos causou é incontestavelmente o do mês de Agosto de 1919, ateado por mãos criminosas. Durante oito dias se trabalhou vigorosamente na extinção do referido incêndio, que tendo principiado no dia 21, na parte ocidental da Madeira, se alastrou depois rapidamente a outras localidades da ilha mas o vento extraordinariamente seco e quente, a que os naturais chamam leste e que soprou com desusada violência desde o referido dia até 27 de Agosto, veio inutilizar muitas vezes os esforços daqueles que, com a maior coragem e dedicação, procuravam, sob uma atmosfera de fogo, obstar ao avanço do terrível elemento destruidor. Por varias vezes se receou que os incêndios atingissem os povoados, alguns dos quais, como é sabido, ficam situados perto da região média da ilha, mas felizmente pôde isso ser evitado, a pesar do vento ter contrariado bastante os trabalhos tendentes a localizar as devastações do fogo. Na região alta, alguns pequenos prédios foram devorados pelas chamas, e desapareceram muitos gados e ficaram inutilizadas muitas culturas, mas não se registaram desastres pessoais importantes, embora alguns indivíduos se ferissem ligeiramente nos trabalhos da extinção dos incêndios. Nos dias 28 e 29 de Agosto caíram algumas chuvas nas serras, que bastante concorreram para extinguir totalmente os incêndios que nos dias anteriores haviam aniquilado muitas das nossas mais belas matas, causando em toda a ilha prejuízos superiores a 2:000 contos.

2Matas atingidas e socorros

No concelho do Porto do Moniz sofreram bastante as matas da parte da Ribeira da Janela e do Fanal; no de S. Vicente, as da beira do Paul, da Lombada das Vacas, do Lombo da Palha e da serra da Ponta Delgada; no de Sant'Ana, as do Arco de S. Jorge e do Faial; no de Machico, as do Pico da Suna e dos Lamaceiros; no do Funchal, as de S. Roque e do Monte; no de Câmara de Lobos, as do Ribeiro Garcia e Fontainhas; no da Ribeira Brava, as da Serra de Água; e no da Calheta, as da Lombada Gorda, da Ribeira dos Moinhos, do Rabaçal e da beira do Paul da Serra.

No Rabaçal, nesse sítio que os viajantes percorrem com entusiasmo, pelas soberbas paisagens que dele se disfrutam, os prejuízos não foram gerais, e as casas nada sofreram, devido ao esforço e dedicação empregados para salvá-las. No Monte e em S. Roque o incêndio tomou proporções verdadeiramente assustadoras, abrangendo uma área de alguns quilómetros e ameaçando destruir um grande numero de habitações, e na Bica da Cana, no Paul da Serra, ficaram muito danificadas as plantações mandadas fazer aí pela Junta Agrícola.

Na grave conjuntura que a ilha atravessou, prestaram bons serviços o Governador Civil, general Simões Soares, o Comandante Militar, coronel Veiga, o Regente Silvícola Schiappa de Azevedo, o pessoal florestal e varias forças de infantaria 27, tendo todos dentro dos limites das suas atribuições, trabalhado com perseverança e empregado os meios possíveis para a localização e extinção dos incêndios. No que houve pouco zelo e energia foi em procurar os incendiários e entrega-los ao poder judicial, a fim de serem castigados sem contemplação, sendo a benevolência com que sempre têm sido tratados os inimigos das nossas matas, a principal causa do desnudamento das montanhas e da ilha ter sofrido por diferentes vezes os estragos causados pelas torrentes e aluviões.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 01
  1. Durante um longo período de vento leste, que trouxe ao Funchal a temperatura à sombra mais elevada até então registada (38,4°), incêndios ateados criminosamente, segundo se dizia por pastores indignados, destruíram grande parte da floresta da Madeira, incluindo pinhais no Monte e em São Roque. Só a chuva os extinguiu; os prejuízos ultrapassaram 2 000 contos.

Lugar

Lugares mencionados · 27
Mapa: Madeira (27)
  1. Arco de São Jorge

    Santana. Florestas atingidas.

  2. Bica da Cana

    Ponta do Sol. Plantações da Junta Agrícola gravemente danificadas.

  3. Calheta

    Concelho atingido.

  4. Camara de Lôbos

    Câmara de Lobos. Concelho atingido.

  5. Faial

    Santana. Florestas atingidas.

  6. Fanal

    Porto Moniz. Florestas atingidas.

  7. Fontainhas

    Câmara de Lobos. Florestas atingidas.

  8. Funchal

    Concelho atingido.

  9. Lamaceiros

    Machico. Florestas atingidas.

  10. Lombada das Vacas

    São Vicente. Florestas atingidas.

  11. Lombada Gorda

    Calheta. Florestas atingidas.

  12. Lombo da Palha

    São Vicente. Florestas atingidas.

+ 15 mais

Pessoas

Pessoas mencionadas · 04
  1. Regente florestal que ajudou a combater o incêndio de 1919.

  2. Governador civil da Madeira que ajudou a dirigir o combate ao incêndio em 1919.

  3. Descobridor e primeiro capitão do Funchal, em cujo tempo ocorreu o único incêndio florestal de maiores proporções.

  4. Comandante militar da Madeira elogiado pelo seu trabalho no combate ao incêndio de 1919.

Na folha I

Vistos recentemente

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