Fontes de João Diniz 1Origem e primeiras referências
Fontes de João Diniz
História das Fontes de João Diniz, junto à Fortaleza de São Lourenço, no Funchal, que durante muito tempo abasteceram de água a população e os navios e desapareceram em novembro de 1939, durante as obras de reparação do palácio.
1Origem e primeiras referências
A mais antiga referência que temos encontrado ás fontes de João Diniz é a que se lê num documento tombado no tomo 3.° do arquivo da Câmara Municipal do Funchal e publicado nas Saudades da Terra, que tem o título de Apontamentos & Regimento que se ha de ter nas obras de forteficaçâo que ellRey nosso senhor mâdou fazer na cidade do Funchal. Diz assim: «E que das fontes da fortalleza se recolha a parte que bem parecer da aguoa dellas em hum chafaris que se faraa no terreiro de fora da fortalleza como sua alteza tinha mãdado por Pero da Sylva & do resto da dita aguoa se faram duas biquas ou as que bem pareçer para os navios fazerem aguoada as quoaes biquas se poram ao longuo do calhao ». O documento refere-se ao saque dos corsários franceses, que foi no ano de 1566, e parece-nos pouco posterior a esta época.
O nome que estas fontes conservam de João Diniz deve provir do seu primitivo proprietário ou de algum indivíduo que tivesse feito a exploração delas. Já em 1590 lhes dava Gaspar Frutuoso este nome.
O Dr. F. A. Barral enaltece as boas qualidades da água destas fontes e dedica-lhes algumas paginas do seu livro Noticia sobre o Clima do Funchal (pag. 139 a 141).
2Obras e desaparecimento das fontes
Em sessão de 7 de Abril de 1784 resolveu a Câmara Municipal «fazer uma defesa ou uma muralha em condições de evitar que o mar em tempos invernosos continuasse a entulhar as fontes da cidade», sendo essa obra orçada em 1 082$500 réis, e em 1841 foi construído o actual chafariz, desaparecendo por essa ocasião as canhoneiras da bataria que ficava para o lado do mar, na fortaleza de S. Lourenço.
Em Março de 1896 foram as águas das fontes de João Diniz declaradas suspeitas pelo administrador do concelho, Guilherme Teles de Meneses, o que não obstou a que o publico continuasse a abastecer-se delas com tanta confiança como dantes. Realizaram-se no entretanto por essa ocasião algumas obras nas canalizações do palácio de S. Lourenço a fim de evitar possíveis infiltrações susceptíveis de alterar a pureza das mesmas águas.
Com as grandes obras de reparação realizadas no Palácio de São Lourenço, desapareceram as tão conhecidas Fontes de João Diniz no mês de Novembro de 1939.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 06-
Corsários huguenotes franceses comandados por Montluc, guiados por Gaspar Caldeira, desembarcaram na Praia Formosa e saquearam o Funchal. Tomaram de assalto a fortaleza de São Lourenço e profanaram a Sé e o convento de Santa Clara, cujas freiras fugiram para o Curral; Gaspar de Braga morreu a resistir-lhes. O ataque, ocorrido durante a capitania de Francisco Gonçalves da Câmara, levou à construção de novas fortificações costeiras.
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Gaspar Frutuoso já chamava às nascentes pelo nome de João Diniz.
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A Câmara Municipal do Funchal decidiu construir um muro de proteção marítima para impedir que o mar assoreasse as nascentes de João Diniz.
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Foi construído o atual chafariz das Fontes de João Diniz.
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Guilherme Teles de Meneses, administrador do concelho do Funchal, declarou suspeita a água das Fontes de João Diniz e proibiu o público de a recolher.
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As Fontes de João Diniz desapareceram durante as obras de reparação do Palácio de São Lourenço.
Lugar
Lugares mencionados · 03- Fontes de João Diniz · Assunto
Funchal
Fontes junto à Fortaleza de São Lourenço, no Funchal, que durante muito tempo abasteceram de água a população e os navios. Desapareceram em novembro de 1939, durante as obras de reparação do palácio.
- Fortaleza de São Lourenço
Funchal. Fortaleza, mais tarde transformada em palácio, junto à qual brotavam as fontes; a sua bateria voltada para o mar foi removida em 1841.
A Fortaleza de São Lourenço, no Funchal, começou por ser um simples baluarte no tempo do quarto e do quinto capitães-donatários e ficou concluída até ao reinado de D. Sebastião; a entrada principal está voltada para o Largo da Restauração. Mais tarde, serviu de palácio e acolheu a estação meteorológica do Funchal. Nela foi hasteada a bandeira republicana nos dias 6 e 7 de outubro de 1910. O Elucidário regista ainda os seus emblemas heráldicos, uma inscrição de 1635, uma antiga Capela de São Lourenço e a destruição da estátua do santo em 1911.
- Funchal
Cidade onde se situavam as fontes.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 05-
Médico que elogiou a água das fontes na sua Noticia sobre o Clima do Funchal.
- Gaspar Frutuoso1522–1591
Cronista e autor de Saudades da Terra, que já usava o nome João Diniz para designar as fontes em 1590.
- Guilherme Teles de Menesesn. 1855
Administrador do concelho do Funchal que declarou suspeita a água das fontes em março de 1896.
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Provavelmente o primeiro proprietário ou explorador das fontes que têm o seu nome.
- Pedro da Silvam. 1639
Pessoa por intermédio da qual o rei mandara construir um chafariz no pátio da fortaleza, segundo o regulamento do século XVI citado.