Milho (Zea Mays)
O milho, gramínea originária da América introduzida na Madeira depois dos cereais mais antigos, fornecia as papas de farinha que alimentavam dois terços da população. Laureano da Câmara Falcão impulsionou o seu cultivo em 1847, mas, em 1921, a maior parte do milho continuava a ser importada.
Graminea originaria da América, cuja introdução na ilha é muito posterior á do trigo, cevada e centeio. A papa da farinha de milho constitui a base de alimentação de dois terços da população madeirense e o grão serve para sustento do gado e das aves. A panícula formada pelas flores masculinas (bandeira do milho) e os caules e fôlhas da planta podem também ser dados aos gados, ao passo que as brácteas que rodeiam a inflorescencia feminina costumam ser aproveitadas para encher colchões. Esta inflorescencia ou espadice recebe o nome de maçaroca; as barbas do milho são os longos estiletes ou filamentos que terminam o ovario.
A cultura do milho é antiga na Madeira, mas foi em 1847 que Laureano da Câmara Falcão, mais conhecido pelo nome de morgado da Ilha (sitio da freguesia de S. Jorge), a desenvolveu nas freguesias de Santana e S. Jorge, mandando vir para este fim do arquipélago dos Açores alguns agricultores que ensinaram aqui os processos de cultura adoptados naquele arquipélago. Os resultados que ele tirou do seu empreendimento foram bastante lisonjeiros, e para animar a cultura do milho entre nós, apareceu a lei de 22 de Julho de 1853, que isentou do pagamento dos dízimos o que fosse produzido na terra.
A produção do milho no arquipélago não vai além de 6.000 hectolitros, sendo necessário importar cerca de 11 milhões de hectolitros para satisfazer às exigências do consumo em todo o distrito (1921).
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 03-
Laureano da Câmara Falcão desenvolveu a cultura do milho em Santana e São Jorge com o auxílio de agricultores açorianos.
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Uma lei isentou de dízimos o milho produzido localmente para incentivar o seu cultivo.
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A produção madeirense de milho rondava os 6 000 hectolitros, sendo importada a maior parte do milho consumido.
Lugar
Lugares mencionados · 05No estrangeiro
- Açores
Portugal. Origem dos agricultores trazidos para ensinar métodos de cultivo do milho.
Os Açores são um arquipélago atlântico que partilha espécies vegetais com a Madeira. O Elucidário regista a fixação de famílias madeirenses, como os Bettencourt, no arquipélago, a proibição dos vinhos açorianos na Madeira em 1801 e a importação de tabaco açoriano. Refere ainda a vinda de agricultores açorianos à Madeira para ensinar métodos de cultivo do milho.
- América
Multiple countries. Continente de origem do milho.
A América é indicada como região de origem do milho, do tomate e do amaranto-crista-de-galo, e como provável origem de um inseto estudado pelo professor Lounsbury. Dela vieram sementes de pinheiro oferecidas à Câmara Municipal do Funchal em 1807, e foi o destino do professor Alexandre Luís da Cunha em 1828.
- Ilha
Santana. Localidade que deu a Laureano da Câmara Falcão a alcunha de morgado da Ilha.
A Ilha é um sítio habitado da freguesia de São Jorge, rodeado por uma ribeira que se bifurca, e sede de um morgadio instituído em 1559 em terras concedidas a Lopo Fernandes Pinto. Teve uma Capela de Nossa Senhora do Rosário, hoje desaparecida, deu a Laureano da Câmara Falcão a alcunha de «morgado da Ilha» e passou a ser servido por um novo ramal de levada construído em 1938.
- Santana
Freguesia onde se desenvolveu a cultura do milho em 1847.
Santana é uma freguesia da costa norte da Madeira, considerada a mais pitoresca do norte da ilha. Foi desmembrada de São Jorge no século XVI; a entrada aborda o seu povoamento, os párocos, a igreja, os sítios e a população.
- São Jorge
Santana. Freguesia onde se desenvolveu a cultura do milho em 1847.
Freguesia da costa norte que integrava o concelho de Santana desde a sua criação e dá nome ao arciprestado do norte. É conhecida pelos depósitos de fósseis vegetais e de lignito estudados por Heer e Bunbury, bem como por um deslizamento de terras ocorrido no século XVII. O Elucidário descreve também o seu ilhéu, a sua ponta, o seu cais e a sua ribeira.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 01-
Proprietário conhecido como morgado da Ilha que, em 1847, desenvolveu a cultura do milho em Santana e São Jorge com o auxílio de agricultores açorianos.