Lamedo (António José de Jesus) 1Carreira na Câmara
Lamedo (António José de Jesus)
Biografia de António José de Jesus Lamedo, porteiro e escrivão da Câmara Municipal do Funchal (1765–1797), cujo índice em dois volumes do Registo Geral da Câmara continua a ser uma fonte fundamental para a história da Madeira.
1Carreira na Câmara
Foi talvez o mais distinto funcionário que teve em tempos antigos a Câmara Municipal do Funchal, apesar de haver desempenhado apenas o modesto cargo, agora extinto, de porteiro e guarda-livros da mesma Câmara.
Ignoramos quando nasceu Lamedo e se era ou não natural desta ilha; o que sabemos é que «não só pelo seu procedimento, verdade, inteligência e boa letra, mas pela experiência que tinha das letras antigas, que poucas pessoas sabem ler», foi nomeado pela Câmara em 3 de Junho de 1765 para exercer o referido cargo sendo essa nomeação confirmada por provisão regia de 17 de Agosto de 1766.
Lamedo nunca chegou a ter a propriedade do lugar de porteiro da Câmara Municipal do Funchal, a princípio por ser vivo o antigo serventuario Pedro Luís Correia, e depois por outros motivos que nos são desconhecidos, sendo essa a razão porque se encontram nos registos municipais diversas deliberações ou diplomas reconduzindo-o no referido cargo, o qual desempenhou até Maio de 1797.
Em 1781, foi Lamedo nomeado repesador de trigo e farinha, cargo este que acumulou daí em diante com o de porteiro da Câmara, sempre a contento das diferentes vereações com quem serviu. Serviu também durante algum tempo de procurador do Senado no tribunal da Comarca.
2O Índice e morte
O mais importante serviço prestado por António José de Jesus Lamedo ao Município, foi a organização do índice, em dois tomos, dos diplomas que se encontram no Registo Geral da Câmara, tendo o primeiro tomo 284 e o segundo 81 folhas. Este valiosissimo trabalho que levou «três anos, dias úteis» a fazer, segundo declara o seu autor, está no arquivo da Câmara e tem o seguinte título: Índese & dos Tombos da Camara desta Cidade mandado copiar neste livro 1.°, e no 2.° pelos Senhores D.or Juis de Fora Bernardo José de Oliveira Perdigão, e Vereadores Francisco de Ornelas de Brito Tristão Joaquim Neto, e o Procurador do Conselho Manoel Jozé de Brito, e Misteres.
O Dr. Álvaro Rodrigues de Azevedo referindo-se ao trabalho de Lamedo, nas notas às Saudades, diz que «ele é fundamental para o estudo da historia do archipelago da Madeira», sendo de facto o mesmo trabalho, onde se encontram resumidos com clareza todos os documentos disseminados pelos livros de registo da Câmara até o ano de 1794, um interessante e valiosissimo repositorio de informações imensamente úteis sôbre a nossa história, administração e costumes. A maneira como foram coordenadas as matérias nada deixa a desejar, revelando todo o trabalho um método, paciência e dedicação pouco vulgares.
António José de Jesus Lamedo faleceu repentinamente na freguesia da Sé, desta cidade, a 24 de Maio de 1797, tendo sido sepultado no extinto convento de S. Francisco. Foi casado com Antónia Rosa, que lhe sobreviveu, e calculamos que teria cerca de 70 anos, na época do seu falecimento.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 05-
António José de Jesus Lamedo foi nomeado porteiro e escrivão da Câmara Municipal do Funchal.
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Um alvará régio confirmou a nomeação de Lamedo para a Câmara Municipal do Funchal.
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António José de Jesus Lamedo foi nomeado repesador de trigo e farinha.
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O índice dos documentos da Câmara do Funchal elaborado por António José de Jesus Lamedo termina neste ano.
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António José de Jesus Lamedo morreu subitamente na freguesia da Sé, no Funchal.
Lugar
Lugares mencionados · 03- Convento de São Francisco
Funchal. Antigo convento onde Lamedo foi sepultado.
O Convento de São Francisco foi um convento franciscano fundado no Funchal em 1473 e assinalava o limite ocidental da cidade em 1508. A sua igreja foi demolida em 1865, e os seus objetos, livros, lápides e ossadas foram para o cemitério das Angústias, o museu e a Biblioteca Municipal. Os edifícios albergaram presos durante um breve período, até 1836, e a polícia em 1857.
- Funchal
Sede da Câmara Municipal em que Lamedo exerceu funções.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Sé
Funchal. Freguesia do Funchal onde Lamedo morreu.
A Sé é a freguesia urbana central do Funchal, situada inteiramente dentro da cidade. Foi desmembrada de Santa Maria Maior em 1557 e tem sede na catedral; é o centro comercial, administrativo e institucional da cidade. O Elucidário regista as suas igrejas, edifícios notáveis, o seu papel judicial como ponto de partida da comarca oriental e várias personalidades ali nascidas, e assinala que o Bugio lhe pertence administrativamente.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 08- António José de Jesus Lamedom. 1797
Porteiro e escrivão da Câmara Municipal do Funchal (1765–1797), que compilou o valioso índice do Registo Geral da Câmara.
- Álvaro Rodrigues de Azevedo1825–1898
Anotador de Saudades da Terra, que considerou o índice de Lamedo fundamental para a história da Madeira.
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Mulher de Lamedo, a quem sobreviveu.
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Juiz de fora do Funchal que, com os vereadores, mandou compilar o índice elaborado por Lamedo.
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Vereador do Funchal mencionado no título do índice de Lamedo.
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Procurador do concelho mencionado no título do índice de Lamedo.
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Anterior titular do cargo de porteiro da Câmara, cuja sobrevivência impediu Lamedo de obter a propriedade do ofício.
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Vereador do Funchal mencionado no título do índice de Lamedo.