Comunicações com a Metropole 1Comunicações nos primeiros tempos
Comunicações com a Metropole
Apresenta a história das comunicações marítimas entre a Madeira e Portugal continental, desde as raras viagens de verão dos primeiros tempos da colonização até aos serviços regulares de vapores de meados do século XIX. Assinala que o comércio do açúcar e do vinho ligava o Funchal mais estreitamente a outros portos europeus do que a Lisboa.
1Comunicações nos primeiros tempos
Nos primeiros anos decorridos após a descoberta do arquipelago e nos tempos primitivos da colonização, eram pouco frequentes as comunicações com a metrópole. Num artigo manuscrito se lê “que el-rei e o infante (D. Henrique) tinham noticias da ilha de anno a anno pelo verão, porque naquelles principios se não navegava no inverno.” O aperfeiçoamento da arte de navegar e o rapido desenvolvimento comercial e agricola da Madeira, tornaram menos raras essas comunicações, não só com o continente do reino, mas, de modo muito especial, com alguns portos da Europa. O numero consideravel de forasteiros nacionais e estrangeiros aqui atraídos pela fama da grande fertilidade do solo, estabelecendo-se no Funchal e adquirindo avultados meios de fortuna, contribuíu para o alargamento e frequencia dessas comunicações, que já não eram muito raras no meado do seculo XV, e que se podiam chamar frequentes nos principios do seculo seguinte. O comercio do açucar, e depois a exportação dos nossos vinhos, que em breve adquiriram uma reputação mundial, tornaram a Madeira um importante emporio comercial, e, consequentemente, o Funchal um pôrto procurado com frequencia por muitas embarcações para o transporte daqueles produtos. O mesmo se não dava com as relações maritimas entre este arquipelago e a metrópole. Embora menos raras do que nos tempos primitivos da colonização, não chegaram nunca a ser muito frequentes. Os prelados desta diocese e os governadores e capitãis-generais transportavam-se quasi sempre á Madeira, em navios do estado, não tanto devido á categoria do cargo, como á escassez de embarcações que os conduzissem.
2Navios de vela e vapores
No meado do seculo XIX só um navio português o Galgo, fazia viagens regulares entre a Madeira e Lisboa, mas já a esse tempo tocavam tanto aqui como na capital, os vapores da Royal Mail Steam Company, da Compagnie Franco-Americaine e da Peninsular Steam Navegation Company. O Galgo era um barco de vela de 250 toneladas e com excelentes acomodações para passageiros, que todos os meses visitava a Madeira, gastando na viagem 4 a 5 dias.
O Comet, de 260 toneladas, e o Eclipse, de 246, eram dois navios veleiros ingleses que visitavam com regularidade a Madeira e que tinham sido construídos expressamente para navegar entre a Inglaterra e esta ilha, e além deles tocavam também aqui os navios de vela da African Steam Ship Company, que faziam viagens entre Plymouth ou Liverpool e a costa ocidental de Africa. Os vapores da Royal Mail já em 1838 tocavam na Madeira (V. Carvão de pedra).
Em 1858 havia um vapor inglês, a Barão de Catters, que fazia viagens regulares unicamente entre Lisboa e Madeira, e no ano imediato principiaram estas viagens a ser feitas pelo vapor português Visconde de Atoguia, ao qual se seguiram o Lusitania, o Lisboa em 1862 e o Maria Pia em 1863. Os vapores da carreira de Africa já em 1862 tocavam com regularidade no Funchal.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 05-
Os vapores da Royal Mail já faziam escala na Madeira.
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O vapor britânico Barão de Catters fazia viagens regulares exclusivamente entre Lisboa e a Madeira.
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O vapor português Visconde de Atoguia iniciou o serviço regular entre Lisboa e a Madeira.
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O vapor Lisboa entrou ao serviço e os vapores da carreira de África começaram a fazer escala regular no Funchal.
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O vapor Maria Pia juntou-se ao serviço entre Lisboa e a Madeira.
Lugar
Lugares mencionados · 06No estrangeiro
- Costa Ocidental de África
Multiple. Destino de navios que faziam escala na Madeira.
A costa ocidental de África é uma região para onde seguiam navios que faziam escala na Madeira. Foi também o destino da viagem descrita no relato de F. B. Spilsbury.
- Funchal
Principal porto da Madeira, frequentado por navios que transportavam açúcar e vinho.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Inglaterra
United Kingdom. País ligado à Madeira pelos veleiros Comet e Eclipse, construídos para esse fim.
A Inglaterra surge no Elucidário como o primeiro grande mercado dos bordados da Madeira e o principal importador dos artigos de vime madeirenses. Era também a origem da maior parte da manteiga consumida no Funchal no início do século XIX. Foi um dos principais refúgios dos emigrados liberais que fugiam à perseguição miguelista, e vários madeirenses estudaram ou exerceram funções diplomáticas no país.
- Lisboa
Portugal. Capital ligada à Madeira por serviços regulares de veleiros e vapores.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
- Liverpool
United Kingdom. Porto inglês de onde partiam navios com destino à África Ocidental, via Madeira.
Porto inglês, a 1430 milhas do Funchal, de onde partiam navios para a África Ocidental via Madeira; o Liberia partiu de lá para a Madeira em 1874. Uma obra de Robert McAndrew foi publicada na cidade, e o seu museu conserva exemplares de corais da Madeira.
- Plymouth
United Kingdom. Porto inglês de onde partiam os navios da African Steam Ship Company que faziam escala na Madeira.
Plymouth é um porto inglês, situado, segundo o registo, a 1220 milhas do Funchal. Era o porto de partida dos navios da African Steam Ship Company que faziam escala na Madeira e o destino previsto do brigue Jane.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 01- Infante D. Henrique1394–1460
Infante D. Henrique, que, tal como o rei, só recebia notícias da Madeira uma vez por ano nos primeiros tempos da colonização.