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Elucidário Madeirense Início
Artigo Nº 0712 Donatário, governador ou governante Vol. I · pp. 388–389 2 min de leitura

Câmara (Francisco Gonçalves da)

Francisco Gonçalves da Câmara, filho natural do terceiro capitão-donatário do Funchal, governou a capitania na ausência do sobrinho e é recordado pela fraca defesa perante o ataque francês de 1566. Gaspar Frutuoso elogiou a sua valentia, enquanto o anotador de Saudades da Terra o considerou cobarde.

Câmara (Francisco Gonçalves da)

Governo e saque de 1566

Era filho natural do terceiro capitão-donatario do Funchal, Simão Gonçalves da Câmara. Na ausência de seu sobrinho e quinto donatario desta ilha, Simão Gonçalves da Câmara, que a maior parte do tempo residiu na corte, governou Francisco Gonçalves da Camara a capitania, deixando o seu nome vinculado á fraca defesa e resistência que opôs ao ataque dos franceses a esta ilha no ano de 1566.

O autor das Saudades da Terra refere-se a ele nos seguintes encomiásticos termos: «he homem mui ardiloso em todos os seus exercícios de guerra, mui temperado, de muita virtude, e pouco mimoso: foi criado em aspereza, fora das delicias de seus irmãos, pela qual rasão he sofredor de trabalhos, e mui esforçado cavalleiro, como mostrou na entrada dos francezes na cidade do Funchal, onde, servindo de Capitam Geral (como servia e agora serve), em ausência, e depois por falecimento de seu sobrinho ferio mui honrosamente o capitam francez Visconde de Pompador, na entrada da Fortaleza, onde mostrou ânimo de valeroso capitam; e por tal lhe deo el-rei o habito com certa tença, e que não pagasse por outo annos quinta e dizima de sua fazenda, que boa parte possuhe no termo do Funchal, de assucares e vinhos. Não compartilha da opinião de Gaspar Frutuoso o erudito anotador das Saudades, afirmando que Francisco Gonçalves da Câmara “a cujo cargo estava o governo da ilha da Madeira, ao revez de aggredir, nem sequer soube defendel-a dos aggressores: apenas houve, á entrada da cidade do Funchal e á porta da fortaleza de São Lourenço, conflito de desesperada defesa e alguns preclaros rasgos de valor individual, que resgataram o bom nome madeirense... “ Acrescenta ainda o mesmo anotador, que houve “prémios para o pusilânime capitão Francisco Gonçalves da Câmara, o qual, no momento do perigo, foi refugiar-se entre as mulheres...” Francisco Gonçalves da Câmara foi proprietário da quinta, hoje chamada das Cruzes, e ali viveu “em huns paços grandes e sumptuosos”, no dizer de Frutuoso.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 01
  1. Corsários huguenotes franceses comandados por Montluc, guiados por Gaspar Caldeira, desembarcaram na Praia Formosa e saquearam o Funchal. Tomaram de assalto a fortaleza de São Lourenço e profanaram a Sé e o convento de Santa Clara, cujas freiras fugiram para o Curral; Gaspar de Braga morreu a resistir-lhes. O ataque, ocorrido durante a capitania de Francisco Gonçalves da Câmara, levou à construção de novas fortificações costeiras.

Lugar

Lugares mencionados · 03
Mapa: Madeira (3)
  1. Fortaleza de São Lourenço

    Funchal. Fortaleza a cuja porta houve combates durante o ataque de 1566.

  2. Funchal

    Sede da capitania que governou e cidade atacada pelos franceses em 1566.

  3. Quinta das Cruzes

    Funchal. Quinta que possuía e onde viveu em residências sumptuosas.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 04
  1. Filho natural do terceiro capitão-donatário do Funchal, que governou a capitania na ausência do sobrinho durante o ataque francês de 1566.

  2. Gaspar Frutuoso1522–1591

    Autor de Saudades da Terra, que elogiou a coragem de Francisco Gonçalves da Câmara em 1566.

  3. Terceiro capitão-donatário do Funchal e pai de Francisco Gonçalves da Câmara.

  4. Capitão francês que Francisco Gonçalves da Câmara feriu à entrada da fortaleza durante o ataque de 1566, segundo Frutuoso.

Na folha C

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