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Princesas Marroquinas 1Chegada do bergantim marroquino
Artigo Nº 3024 Naufrágio ou história de navio Vol. III · pp. 255–256 2 min de leitura

Princesas Marroquinas

Relato da chegada inesperada ao Funchal, em abril de 1793, de um brigue marroquino que transportava a família e a comitiva do príncipe Muley Abdessalam, em fuga da guerra civil, e do seu regresso a Marrocos, passando por São Miguel e Lisboa.

Princesas Marroquinas

1Chegada do bergantim marroquino

A 19 de Abril de 1793, arribou ao porto do Funchal um bergantim marroquino, trazendo a seu bordo a esposa, três filhas e dois filhos do principe Muley Abdessalam, bem como nove concubinas deste e algumas outras pessoas de alta categoria em Marrocos, entre as quais se contava a viúva do antigo imperador Muley Ismael.

A comitiva da família do príncipe era constituída por duas camareiras, um eunuco, um arrais condutor, um secretario, um preto porteiro, fazendo as vezes de eunuco, dezassete criadas musicas trinta criados, dezassete mulheres dos criados, cento e dezanove escravos, escravas e filhos, onze passageiros moiros, um judeu e uma judia, amiga do arrais.

Contando com os tripulantes, havia a bordo do bergantim mais de duzentas pessoas, que vinham todas imensamente incomodadas, tanto pela pequenez do navio como pela falta de agua que havia a bordo.

O bergantim dirigia-se para Salé, onde Muley Abessalam pretendia pôr a sua família ao abrigo dos perigos da guerra civil que assolava então o império de Marrocos, mas tendo encontrado ventos contrários que o afastaram do porto do seu destino, viu-se o seu comandante obrigado a conduzi-lo ao porto do Funchal, onde sabia que encontraria recursos para poder continuar a viagem em melhores condições.

2Recepção e viagem

As princesas foram muito bem recebidas no Funchal tanto pelo governador e capitão-general D. Diogo Forjaz Coutinho como pelo cônsul marroquino Diogo Teles, tendo aquela autoridade mandado aprontar dois bergantins portugueses, pelos quais fêz distribuir os viajantes, embarcando também em um dêles o referido consul, o qual se propunha acompanhar as princesas até Salé.

A viagem não foi feliz. Afastados os navios da sua derrota depois de deixarem o porto do Funchal, tiveram as princesas de desembarcar na ilha de S. Miguel, donde passaram a Lisboa, retirando finalmente para o seu país no dia 8 de Agosto, a bordo de três embarcações que o governo português pusera á sua disposição.

O cônsul Domingos Teles só acompanhou as princesas até a ilha de S. Miguel, abandonando-as aí, sem se dar ao incomodo de justificar o seu procedimento.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 01
  1. Um brigue marroquino que transportava a família do príncipe Muley Abdessalam chegou ao Funchal; mais tarde, as princesas partiram de Lisboa para Marrocos a bordo de três navios do governo português.

Lugar

Lugares mencionados · 05

No estrangeiro

Mapa: Madeira (5)
  1. Funchal

    Porto onde o brigue marroquino aportou em abril de 1793, depois de se desviar da rota.

  2. Lisboa

    Portugal. Cidade de onde as princesas finalmente partiram por mar de regresso a Marrocos.

  3. Marrocos

    Morocco. País de origem das princesas, então assolado pela guerra civil.

  4. Salé

    Morocco. Porto marroquino a que se destinava o brigue.

  5. São Miguel

    Portugal. Ilha açoriana onde as princesas tiveram de desembarcar depois de os ventos as desviarem da rota.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 04
  1. Governador e capitão-general da Madeira que recebeu as princesas marroquinas em 1793 e disponibilizou dois brigues portugueses para a sua viagem.

  2. Cônsul marroquino no Funchal, também chamado Domingos Teles no texto, que acompanhou as princesas apenas até São Miguel e ali as abandonou.

  3. Príncipe marroquino cuja família e comitiva chegaram ao Funchal em 1793, quando procurava protegê-las da guerra civil em Salé.

  4. Antigo imperador de Marrocos cuja viúva se encontrava entre os passageiros do brigue que chegou ao Funchal em 1793.

Na folha P

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