Pereira (Joâo Augusto) 1Carreira militar
Pereira (Joâo Augusto)
Biografia de João Augusto Pereira (1857–1915), oficial de artilharia madeirense, jornalista e deputado pelo Partido Progressista eleito pela Madeira. Promoveu a conclusão das levadas da ilha, as obras de saneamento e abastecimento de água do Funchal, a sua rede telefónica e o primeiro projeto de lei para a autonomia administrativa da Madeira (1900).
1Carreira militar
Nasceu na vila da Ribeira Brava a 26 de Maio de 1857, sendo filho de Antonio de Sousa da Silva Pereira e de D. Luísa da Conceição Pereira, e frequentou o liceu do Funchal e as antigas Escolas Politecnica e do Exército, tendo sido despachado 2.° tenente de artilharia a 7 de Janeiro de 1885. Serviu em Vendas Novas onde foi também professor da Escola Pratica de Artilharia, tendo passado daí para o Funchal, onde prestou serviço como subalterno e mais tarde, depois de despachado capitão, como comandante da companhia n.° 3 de artilharia de guarnição. Foi também comandante do material de guerra na ilha da Madeira, tendo-se revelado em todos os serviços e comissões militares que desempenhou, um oficial muito inteligente, brioso e disciplinador.
2Deputado às côrtes
João Augusto Pereira representou a Madeira em côrtes nas legislaturas de 1900, 1902-1904, 1904, 1905-1906, 1900-1907 e 1908-1910, tendo sido êle quem, na sua estreia politica em 1900 na Camara dos Deputados, chamou a atenção do governo para a necessidade da conclusão das levadas de irrigação da nossa ilha. O seu discurso mereceu referencias elogiosas do então ministro das Obras Publicas, o falecido conselheiro Elvino de Brito.
Na mesma sessão legislativa tomou parte activa na discussão do projecto por êle apresentado e assinado por outros deputados, relativo à transformação dos serviços das mencionadas levadas, tendo sido êle também quem apresentou em 1900 o primeiro projecto de lei pedindo a autonomia administrativa para a Madeira, que não chegou a ser votado pelo facto do governo ter caido nessa ocasião.
Ao deputado João Augusto Pereira se deve a autorização concedida á Camara Municipal do Funchal para contrair com a Caixa Geral dos Depositos um emprestimo de 400 contos para as despesas com as obras de canalização de esgotos e aguas potaveis do Funchal, serviço este relevantissimo, mas de que algumas vereações não souberam tirar o devido proveito, e a êle se deve também o estabelecimento da rêde telefonica no Funchal, a conservação da divisão comarca do arquipélago, ainda em vigor, que alguém tinha vontade de alterar, etc., etc.
Dos muitos discursos do deputado João Augusto Pereira, só foi publicado nesta cidade o que êle proferiu na sessão de 17 de Março de 1903 sôbre o estado anárquico do distrito do Funchal.
3Imprensa, partido e morte
Foi professor provisorio do liceu do Funchal e um dos redactores do antigo Diario Popular e do Diario da Madeira, tendo ocupado um lugar eminente na imprensa madeirense, entre os jornalistas do seu tempo. O extinto partido progressista, em que sempre militou, ficou-lhe devendo assinalados serviços, tendo sido um dos mais valiosos cooperadores de seu sogro, o falecido conselheiro Manuel José Vieira, que, por largos anos, foi entre nós o chefe do mesmo partido.
João Augusto Pereira abandonou a politica depois da proclamação da Republica no nosso país, tendo sido durante os ultimos quinze anos do regimen monarquico um dos homens que gozaram de maior influencia e prestigio neste distrito, e que defenderam com mais desinteresse as necessidades do arquipélago. Faleceu nesta cidade a 22 de Junho de 1915, sendo então major de artilharia, reformado.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 05-
João Augusto Pereira nasceu na Ribeira Brava.
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João Augusto Pereira foi nomeado alferes de artilharia.
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João Augusto Pereira apresentou o primeiro projeto de lei para a autonomia administrativa da Madeira, que caducou com a queda do governo.
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João Augusto Pereira representou a Madeira em sucessivas legislaturas.
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João Augusto Pereira proferiu um discurso sobre o estado anárquico do distrito do Funchal, posteriormente publicado no Funchal.
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João Augusto Pereira, major de artilharia reformado, morreu no Funchal.
Lugar
Lugares mencionados · 03No estrangeiro
- Funchal
Cidade onde estudou, prestou serviço, trabalhou em prol de melhoramentos públicos e morreu.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Ribeira Brava
Local de nascimento de João Augusto Pereira.
A Ribeira Brava é uma das freguesias mais antigas da Madeira. Deve o nome à sua ribeira impetuosa e possui vila, porto e cais. O Elucidário aborda a sua igreja colegiada e as respetivas pinturas, o convento franciscano e as capelas, bem como a festa de São Pedro, com barco e dança das espadas. Regista também tumultos contra o sistema métrico e as mortes causadas por disparos das tropas sobre a população durante as eleições de 1884.
- Vendas Novas
Portugal. Localidade do continente onde prestou serviço e lecionou na Escola Prática de Artilharia.
Localidade de Portugal Continental onde prestou serviço e lecionou na Escola Prática de Artilharia.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 05- João Augusto Pereira1857–1915
Oficial de artilharia madeirense e deputado pela Madeira (1900–1910), biografado nesta entrada.
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Pai de João Augusto Pereira.
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Ministro das Obras Públicas que elogiou o discurso de Pereira sobre as levadas da Madeira, proferido em 1900.
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Mãe de João Augusto Pereira.
- Manuel José Vieira1836–1912
Sogro de Pereira e, durante muitos anos, dirigente do Partido Progressista na Madeira.