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Elucidário Madeirense Início
Artigo Nº 2713 Visitante ou autor estrangeiro Vol. III · p. 51 2 min de leitura

Ovington (John)

Clérigo e viajante inglês, capelão de Jaime II, cuja obra A voyage to Suratt in the year 1689 (Londres, 1696) descreve a Madeira, incluindo um episódio em que marinheiros do seu navio desapareceram no Funchal. O Elucidário considera que o seu relato contém várias falsidades.

Ovington (John)

Ovington e o contratempo no Funchal

Clérigo e viajante inglês, que foi capelão de Jaime II. No livro que publicou intitulado A voyage to Suratt in the year 1689 (Londres 1696), ocupa-se da Madeira, acerca da qual dá informações que seriam curiosas, se entre elas se não encontrassem varias mentiras mais ou menos grosseiras. A título de curiosidade, damos a seguir a tradução da narração que ele faz dum «contratempo» que teve a gente do navio, antes de deixar o porto do Funchal. «Tendo faltado á chamada alguns dos nossos marinheiros supusemos que tivessem caído em poder dos jesuítas, os quais, zelosos por alargar a sua fé, aproveitam todos os ensejos para converter os estrangeiros. Enviou-se uma carta ao Governador pedindo a restituição dos nossos homens, mas ele parece que não tinha autoridade sobre aquela ordem.

«Resolveu então o nosso comandante fazer um desembarque na praia, acompanhado de 14 homens armados, afim de substituir por pescadores os marinheiros de que necessitava.

Um feliz acaso deparou-lhe, porem, um barquinho que trazia ao Funchal um abade e um vigário, os quais com grande surpresa sua se viram aprisionados pela tripulação do nosso escaler.

«Fizemos com que imediatamente eles escrevessem ao governador, narrando-lhe as circunstancias em que se achavam, ao mesmo tempo que era enviada uma nota ao nosso cônsul afim de a transmitir á autoridade, exigindo-lhe a permuta dos prisioneiros. «A questão ia-se azedando porque a noticia da prisão dos padres punha em risco os comerciantes ingleses, estabelecidos no Funchal, mas felizmente tudo se harmonizou, recuperando nós os nossos marinheiros e sendo os padres enviados para terra, onde foram recebidos com grande regozijo da população».

Se a prisão dos tripulantes do navio britânico se deu realmente, como conta Ovington, o mais provável é que ela fosse devida não a zelo dos jesuítas pela conversão dos estrangeiros, mas a zelo dos ingleses pelo culto ao deus Baco, do que poderia resultar a intervenção do alcaide, a cargo de quem estava nessa época a direcção dos serviços da manutenção da ordem na cidade.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 02
  1. John Ovington fez escala na Madeira durante a viagem a Surat e observou que os habitantes vestiam de preto e usavam espadas.

  2. A obra A voyage to Suratt, de John Ovington, foi publicada em Londres.

Lugar

Lugares mencionados · 03

No estrangeiro

Mapa: Madeira (3)
  1. Funchal

    Porto onde o navio de Ovington fez escala e onde ocorreu o incidente com os marinheiros.

  2. Londres

    United Kingdom. Local de publicação do livro de Ovington.

  3. Surat

    India. Destino, na Índia, da viagem de Ovington.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 02
  1. Clérigo inglês, capelão de Jaime II, que escreveu sobre a Madeira no relato de uma viagem a Surat em 1689.

  2. Jaime II, rei de Inglaterra, de quem Ovington foi capelão.

Na folha O

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