Indústria dos Bordados
Entrada suplementar sobre a indústria dos bordados da Madeira, uma atividade domiciliária das mulheres madeirenses que trouxe grande prosperidade antes de entrar em declínio. Apresenta números de empresas exportadoras, bordadeiras e valor das exportações por volta de 1920–1923.
Prosperidade e decadência dos bordados
Esta indústria concorreu consideravelmente para as prosperidades do arquipélago, sendo por todos considerada como um grande elemento de riqueza. Constituindo uma ocupação caseira, em que a mulher madeirense, a dentro do seu lar e desempenhando as suas obrigações domesticas, podia simultaneamente entregar-se aos trabalhos dessa indústria, conseguiu ela estender-se a todos os casais pobres e remediados, e foi um dos mais apreciáveis factores da prosperidade da família. Crianças de oito e dez anos e velhas octogenárias entregavam-se afanosamente aos misteres dessa indústria, quando ela atingiu um estado muito florescente e altamente compensador para todos. Veio depois a sua decadência e a sua ruína, sendo na actualidade pouco remuneradores os trabalhos dos que a ela se entregam e havendo até um avultadíssimo numero de operarias que não encontram ocupação á sombra da mesma indústria. No entretanto, ainda muitos milhares de pessoas, espalhadas em todo o arquipélago, se dedicam á confecção dos bordados, a pesar da situação ruinosa a que chegou a respectiva indústria. É ainda um pequeno recurso para os pobres e uma atenuante para a crise que a todos avassala.
Quando em 1920 era muito prospero o estado daquela indústria chegou a haver na cidade do Funchal 60 casas comerciais, a maior parte estrangeiras, que exclusivamente se ocupavam da compra, manipulação e exportação de bordados, existindo então mais de 35 000 bordadeiras espalhadas por todas as freguesias desta ilha e Porto Santo. Nos fins do ano de 1923 o numero de casas exportadoras elevava-se a 100, computando-se então em 70.000 contos o valor da mercadoria exportada especialmente para a América do Norte. Veja-se o que acerca desta indústria deixámos já dito com algum desenvolvimento a págs. 162 e segs. do vol. I desta obra subordinado ao título bordados.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 02-
No auge da indústria dos bordados, o Funchal tinha 60 casas exportadoras e mais de 35 000 bordadeiras trabalhavam na Madeira e no Porto Santo.
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No final de 1923, cerca de 100 casas exportadoras de bordados no Funchal exportavam aproximadamente 70 000 contos, sobretudo para a América do Norte, e empregavam cerca de 70 000 pessoas.
Lugar
Lugares mencionados · 03No estrangeiro
- América do Norte
United States/Canada. Principal destino das exportações de bordados madeirenses.
Região apontada como origem de plantas mais tarde encontradas na Madeira, como Robinia pseudoacacia. Foi o principal destino das exportações de bordados madeirenses e dos emigrantes da Madeira, incluindo os que fugiam à perseguição. Vários padres madeirenses aí viveram ou angariaram fundos.
- Funchal
Cidade onde se concentravam as casas exportadoras de bordados.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Porto Santo
Ilha cujas freguesias também tinham bordadeiras.
Ilha do arquipélago, povoada a par da Madeira e que constituiu uma das três capitanias. Formou sempre uma única freguesia, dedicada a Nossa Senhora da Piedade, cuja igreja foi saqueada várias vezes. O Elucidário regista o ataque de piratas mouros em 1617, a Misericórdia da ilha e um canal para águas pluviais construído nesta ilha sujeita a secas.