Saltar para o conteúdo
Elucidário Madeirense Início
Artigo Nº 1470 Catástrofe ou calamidade Vol. II · p. 67 2 min de leitura

Fogo do Céu

Descreve o «Fogo do Céu» de 26 de julho de 1593, quando, após dois dias de vento leste abrasador, um clarão atmosférico e um grande incêndio destruíram cerca de 150 casas e culturas no Funchal. O Elucidário conta-o entre as maiores calamidades que atingiram a Madeira.

Fogo do Céu

O Fogo do Céu de 1593

No dia 26 de Julho de 1593 deu-se nesta ilha um fenómeno de incandescência atmosférica, que nas cronicas madeirenses ficou conhecido pelo nome de Fogo do Céu.

Nos dias 24 e 25 do mês e ano referidos soprara violentamente o conhecido «vento leste» acompanhado de tão intenso calor, que, no dizer duma testemunha coeva do acontecimento, «não havia pessoa viva que. . . sahisse de casa nem abrisse janela, nem se podia sofrer dentro das casas, nem se podia nestas estar por ser o ar tão quente que tudo era cuidarem que pereciam e o vento era tal que parecia queimava os ossos, cousa que jamais os homens viram nestas partes».

Tornou-se cada vez mais intenso o calor e pelo começo da noite no dia 26 era já bem visível o raro mas conhecido fenómeno de incandescência atmosférica, que pelas 11 horas se transformou num pavoroso incêndio, queimando toda a vegetação e reduzindo a um enorme braseiro um numero considerável de habitações.

O incêndio manifestou-se nas casas de Tristão Gomes de Castro, não se podendo determinar com precisão se seria provocado pela incandescência do ambiente ou se pela queda de uma faísca eléctrica. Dentro de quatro horas arderam cento e cinquenta casas de habitação, entre as quais se encontravam alguns dos mais ricos e importantes moradores da cidade. Os prejuízos causados foram consideráveis, sobretudo nas culturas agrícolas, destruindo a colheita das uvas e danificando também os canaviais, além da devastação de todas as verduras, o que tudo fez elevar esses prejuízos a muitas centenas de milhares de cruzados. As casas incendiadas eram de madeira na sua maioria, mas muitas continham grandes cabedais, ardendo também alguns armazéns, onde se encontravam arrecadados milhares de arrobas de açúcar destinados a embarque.

Foi esta indubitavelmente, uma das maiores calamidades que assolaram a Madeira, ocorrida apenas vinte e sete anos depois do terrível saque e matança dos huguenotes franceses, ainda de mais tristes e lamentaveis consequências do que o espantoso Fogo do Céu.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 01
  1. Após um vento leste violento e extremamente quente ter soprado sobre a Madeira a 24 e 25 de julho, o incêndio do «Fogo do Céu», em 26 de julho de 1593, destruiu cerca de 150 casas, depósitos de açúcar e culturas na cidade.

Lugar

Lugares mencionados · 01

Pessoas

Pessoas mencionadas · 01
  1. Morador do Funchal em cujas casas deflagrou, pela primeira vez, o incêndio de 26 de julho de 1593.

Na folha F

Vistos recentemente

    As páginas que ler aparecerão aqui.