Bodião (Scarus cretensis)
O bodião, peixe costeiro comum e muito apreciado no arquipélago da Madeira, com informações sobre as suas variantes de coloração, hábitos e métodos de captura.
Peixe da família labrida, vulgar nas costas de todas as ilhas deste arquipelago, incluindo as Selvagens, e justamente apreciado pelo seu fino sabor. É uma linda espécie, cuja cor, muito variável, pode ir desde o ardósia escuro pintalgado de tons claros até o vermelho brilhante, ao mesmo tempo que alguns indivíduos se apresentam simultaneamente vermelhos e cinzentos. Daqui a distinção que fazem nalgumas localidades piscatórias em bodião pardo, vermelho e cardão. Não é peixe de passagem, mas os seus hábitos um tanto nomadas levam-no a deslocar-se nos baixos fundos perto da costa. Ainda que não seja tão frequente como o foi outrora, é contudo uma das raras espécies costeiras que tem conseguido escapar menos mal aos efeitos destruidores da insensata e ruinosa pesca por meio de explosivos.
A captura efectua-se desde a orla do mar até 30 braças de profundidade, usando-se além dos aparelhos de anzol, as redes de arrastar e atravessar, o peneiro e o covo; é porém a cana o aparelho preferido tanto pelos amadores da pesca, como pelos pescadores de profissão. Como isca, empregam de ordinário a jaca ou a aranha, crustáceos que se encontram sob as pedras da costa, entre os dois limites das marés.
No litoral das Desertas, os pescadores do Caniçal fazem por vezes abundante colheita deste peixe que, depois de escalado e salgado, é trazido ao mercado do Funchal, ainda que já um tanto depreciado pela salga.
Neste artigo
Lugar
Lugares mencionados · 04- Caniçal
Machico. Terra dos pescadores que o capturam ao largo das Desertas.
Freguesia piscatória isolada no extremo oriental da Madeira, na base da Ponta de São Lourenço. Teve origem num morgadio dos Moniz e na coutada de João Teixeira, tornando-se freguesia por volta de 1561. Celebra a festa de Nossa Senhora da Piedade com uma procissão marítima e possui um forte construído após um ataque de piratas.
- Desertas
Santa Cruz. Pescadores do Caniçal capturam o peixe em abundância ao largo da sua costa.
Grupo de ilhas próximo da Madeira, já separado dela aquando das últimas erupções, com a qual partilha espécies endémicas. Foi a principal zona de apanha de urzela, e Wollaston encontrou ali 89 espécies de escaravelhos. As ilhas foram estudadas por expedições científicas, incluindo os cientistas do Endurance em 1914.
- Funchal
O peixe salgado é vendido no mercado do Funchal.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Selvagens
Funchal. O peixe é comum até nas águas em redor das ilhas Selvagens.
Pequeno grupo de ilhas desabitadas, que pertence politicamente ao Arquipélago da Madeira. O Elucidário aborda a sua geografia, geologia, fauna e história da propriedade, bem como as lendas de tesouros escondidos, incluindo os planos de Shackleton para os procurar, e assinala a caça anual de cagarras e coelhos. É o único habitat remanescente da lapa Patella vulgata e foi estudado por naturalistas como Lowe e Garreta.