Porto Santo (Aspectos demográficos do)
Excertos de uma conferência de 1941 do Padre Eduardo Pereira sobre o caráter e os costumes da população de Porto Santo, que atribui a uma ascendência portuguesa e árabe e contrasta com os da Madeira.
Vida social do Porto Santo
De uma interessante conferencia proferida pelo rev.° padre Eduardo Pereira e publicada no «Diario de Noticias» do Funchal de 22 e 23 de Julho de 1941, são extraidos os seguintes trechos.
«A vida social do Porto Santo é também elemento de interesse, curiosidade e estudo pelo contraste flagrante que oferece com a da Madeira. O povo isolou-se sempre dentro da Ilha e dentro da sua étnica, costumes e tradições.
É uma terra típica e original na constituição geológica e demográfica do Arquipélago. O povo, provindo directamente de duas raças, lusa e árabe, mostra em tudo suas influencias e atavismo.
É português em máscaras bem vincadas e fortes de colonizadores de quinhentos; é árabe em traços atávicos de pronunciado mauritanismo. Denunciaram-se os primeiros por pruridos de casta e atributos morais; os segundos, por caracteres físicos e índoles de mistura. É, todavia, na sua informação moral mais vincadamente português, patenteando Ilha e habitantes tanta afinidade física e politica com o continente lusitano que facilmente se diria serem mais de lá que de cá. A própria educação daquele povo é outra faceta original de apreciável relevo psicológico.
A maneira de viver, de sentir, trato social, concepções de higiene, atributos de cortesia e solidariedade, linguagem, família, autoridade paterna, casamento, pergaminhos, moral, alimentação, diversões, música, regime agrícola, tudo, tudo diferença a população porto santense da população da Madeira. Por desconfiança árabe, não se dá nem se abre o povo ao primeiro contacto com ninguém, seja de dentro ou de fora, venha donde vier. Primeiro conhece, depois estuda, para então estimar com franqueza e afectividade de português. Sua afeição é tardia, mas duradoura. Não se proponha ninguém enganá-lo, porque desse dolo será o primeiro a tirar engano. Invulgarmente inteligente e perspicaz, não se deixa conhecer de estranhos sem primeiro os conhecer. É, todavia, duma urbanidade cativante e sem igual entre as nossas populações».
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 01Lugar
Lugares mencionados · 03- Funchal
Local de publicação do jornal que publicou a conferência.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Porto Santo
Ilha cuja população e costumes são o tema da entrada.
Ilha do arquipélago, povoada a par da Madeira e que constituiu uma das três capitanias. Formou sempre uma única freguesia, dedicada a Nossa Senhora da Piedade, cuja igreja foi saqueada várias vezes. O Elucidário regista o ataque de piratas mouros em 1617, a Misericórdia da ilha e um canal para águas pluviais construído nesta ilha sujeita a secas.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 01- Eduardo Pereiran. 1887
Padre cuja conferência, publicada no Diário de Notícias em julho de 1941, é aqui citada a propósito da vida social do Porto Santo.