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Elucidário Madeirense Início
Artigo Nº 2417 Clero e religiosos Vol. II · pp. 732–733 2 min de leitura

Moniz (D. João Henriques)

Biografia de D. João Henriques Moniz, sacerdote natural do Funchal perseguido pelas suas simpatias liberais em 1828–1830 e deportado para Cabo Verde, onde mais tarde foi governador do bispado e bispo. Morreu em 1847, pouco depois de chegar para assumir a diocese, num clima de hostilidade e rumores de envenenamento.

Moniz (D. João Henriques)

Nasceu nesta cidade no ultimo quartel do século XVIII e era próximo parente do dr. Lourenço José Moniz, dr. Patricio Moniz e conselheiro Jaime Moniz, dos quais nos ocupamos neste Elucidário. Formou-se em canones pela Universidade de Coimbra tendo-se ordenado de presbítero no primeiro quartel do século passado.

Exercia nesta diocese as funções de promotor eclesiástico, quando foi envolvido na alçada que veio a esta ilha em 1828, sendo no ano seguinte enviado prêso para Lisboa e dali deportado em 1830 para o arquipélago de Cabo Verde. Residiu alguns anos na ilha Brava, onde desempenhou funções paroquiais e onde prestou relevantes serviços à instrução, com a fundação de duas escolas.

Restabelecido o governo constitucional, não regressou à pátria, tendo sido em 1835 nomeado governador do bispado de Cabo Verde. Em 1841, foi apresentado bispo daquela diocese, mas somente em 1844 é que veio a Lisboa receber a sagração episcopal.

Teve um bem curto episcopado, pois chegou a Cabo Verde em Fevereiro de 1847 e morreu a 1 de Julho do mesmo ano. Julgou-se então que as contrariedades e perseguições que sofreu mal desembarcou na ilha de São Tiago, o arrastaram sem demora à sepultura. O cabido que era composto de um cónego preto e outro mulato, não quis conferir-lhe a posse do bispado, e o Governador, pela falta da posse legal, não o reconheceu como prelado e negou-se a abonar-lhe os respectivos honorários. No meio destas lutas e amarguras, sucumbiu ao ataque duma febre perniciosa, sendo sepultado no cemitério da Praia, sem que lhe fossem prestadas as honras civis e eclesiásticas a que tinha direito a sua elevada jerarquia. Não faltou quem afirmasse que o prelado fora vitima dum assassinato causado por envenenamento, que então se atribuiu a um seu próximo parente.

D. João Henriques Moniz tinha sido eleito senador substituto pela Madeira para a sessão legislativa de 1840 a 1842.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 07
  1. A alçada de D. Miguel chegou à Madeira, pronunciou 216 liberais e maçons e mandou prender 101; alguns, como Nery e Agrela, foram enviados para Lisboa, enquanto outros fugiram ou se esconderam.

  2. D. João Henriques Moniz foi deportado de Lisboa para Cabo Verde.

  3. D. João Henriques Moniz foi nomeado governador do bispado de Cabo Verde.

  4. D. João Henriques Moniz foi eleito senador substituto pela Madeira.

  5. D. João Henriques Moniz foi nomeado bispo de Cabo Verde.

  6. D. João Henriques Moniz recebeu a consagração episcopal em Lisboa.

  7. D. João Henriques Moniz morreu de febre em Cabo Verde, meses depois de ali ter chegado em fevereiro de 1847.

Lugar

Lugares mencionados · 07

No estrangeiro

Mapa: Madeira (7)
  1. Brava

    Cape Verde. Ilha de Cabo Verde onde foi pároco e fundou duas escolas.

  2. Cabo Verde

    Cape Verde. Arquipélago para onde foi deportado e onde mais tarde exerceu funções episcopais.

  3. Funchal

    Cidade natal do bispo.

  4. Lisboa

    Portugal. Cidade para onde foi enviado como prisioneiro e onde mais tarde foi consagrado bispo.

  5. Praia

    Cape Verde. Foi sepultado no cemitério da Praia.

  6. Santiago

    Cabo Verde. Ilha onde desembarcou e foi perseguido.

  7. Universidade de Coimbra

    Portugal. Instituição onde se formou em Direito Canónico.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 04
  1. Sacerdote natural do Funchal deportado para Cabo Verde em 1830, onde se tornou bispo e morreu em 1847.

  2. Parente próximo de D. João Henriques Moniz, com entrada própria no Elucidário.

  3. Parente próximo de D. João Henriques Moniz, com entrada própria no Elucidário.

  4. Patrício Moniz1820–1898

    Parente próximo de D. João Henriques Moniz, com entrada própria no Elucidário.

Na folha M

Vistos recentemente

    As páginas que ler aparecerão aqui.