Diques
Explica os diques vulcânicos, paredes de rocha formadas quando material fundido preencheu fendas provocadas por sismos, e enumera exemplos notáveis na Madeira, como os do Curral das Freiras, Cabo Girão, Garajau e Penha de Águia.
Diques
São muros de rochas vulcanicas formados pela penetração da matéria em fusão nas fendas abertas por abalos de terra em terrenos preexistentes. Quando os diques são abundantes numa localidade, prova isso que a acção vulcanica se fez sentir aí com grande intensidade.
No Curral das Freiras e noutros vales do interior da Madeira, há grande numero de diques, e no Cabo Girão encontra-se diques verticais e outros horizontais.
Os diques terminam ás vezes em ponta no alto, havendo também alguns, como o do montículo da Piedade, na Ponta de S. Lourenço, que são cortados ou interceptados na base por terrenos horizontais.
O dique basaltico que forma um cabeço ou mamilo no alto do Garajau, distingue-se dum e doutro lado deste cabo, sendo duplo na parte leste, havendo também diques duplos no Ribeiro Frio, na parte da Penha de Águia soltada para o mar e noutros pontos, os quais procedem provavelmente duma nova penetração da lava nas mesmas fendas.
Há diques que aparecem isolados, devido á destruíção dos terrenos pelas desnudação. Os picos dos Empinos, perto do Curral, são constituídos por diques isolados, e no Ribeiro do Juncal, no alto da Ribeira da Metade, há um dique nas mesmas condições, com cerca de 45 metros de alto e 18 de largo.
Supõe-se que na maior parte dos diques da Madeira, a matéria em fusão foi impelida da parte inferior para a superior, mas no já citado dique da Piedade, e num outro que existe no Ribeiro dos Piornais, entre o Caniço e o Funchal, parece que se deu o caso contrario, visto ambos serem interrompidos ou cortados na base.
Neste artigo
Lugar
Lugares mencionados · 13- Cabo Girão
Câmara de Lobos. Escarpa marítima onde se observam diques verticais e horizontais.
Falésia escarpada com cerca de 600 m de altura (indicada como tendo 589 m) e miradouro recomendado. As suas escarpas contêm filões e é um dos únicos dois locais onde cresce C. dissectum. Uma derrocada matou Henrique Alemão quando este se encontrava no seu barco.
- Caniço
Santa Cruz. Ponto de referência para localizar o dique dos Piornais.
O Caniço é uma freguesia do concelho de Santa Cruz, situada na fronteira entre as capitanias do Funchal e de Machico. Entre os seus primeiros povoadores contavam-se Gaspar Rego, Vasco Fernandes Rego e Álvaro de Ornelas, cuja família aí instituiu morgados; o seu alcaide e juiz eram nomeados pelo Senado do Funchal. Na freguesia encontram-se a estátua do Garajau, a residência dos Jesuítas no Socorro e a Quinta do Barão da Conceição.
- Curral das Freiras
Câmara de Lobos. Vale no interior da ilha com um grande número de diques.
Pequena freguesia do interior, situada num vale profundo que se crê ser a cratera de um vulcão extinto e o principal foco eruptivo da Madeira. A propriedade foi comprada para as freiras de Santa Clara, que ali se refugiaram em 1566 e lhe deram o nome. Foi criada como freguesia em 1790. Antes, servira de pastagem e de refúgio a escravos fugidos e criminosos; em 1927, tornou-se julgado da comarca do Funchal.
- Empinos
Picos próximos do Curral formados por diques isolados.
Picos próximos do Curral, formados por filões isolados.
- Funchal
Ponto de referência para localizar o dique dos Piornais.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Garajau
Santa Cruz. Cabo encimado por um dique de basalto que forma uma elevação e é duplo no lado oriental.
O Garajau é um cabo que delimita a baía do Funchal a leste, a 2,9 milhas do Funchal, assim chamado pelos garajaus ali encontrados pelos descobridores. No seu cume há um dique basáltico, uma capela de Nossa Senhora das Neves e a estátua do Sagrado Coração de Jesus, de 1927; teve um telégrafo de 1839 a 1847. É conhecido pelas bombas vulcânicas, por um dragoeiro sobrevivente, pela única norça em estado selvagem, por Senecio incrassatus e pelos moluscos de águas profundas, sendo recomendado como miradouro.
- Penha de Águia
Santana. A face voltada para o mar apresenta diques duplos.
Penha costeira em forma de pirâmide truncada, com quase 600 m de altura, na costa norte da Madeira, elogiada por dar nome a um vale de beleza sem igual. Stuebel considerou-a o vestígio de uma cratera secundária destruída, e a sua face voltada para o mar apresenta filões duplos. É local de nidificação do boieiro e deu nome a um morgadio.
- Piedade
Calheta. Colina na Ponta de São Lourenço cujo dique é cortado na base por estratos horizontais.
Piedade é um sítio habitado da freguesia do Jardim do Mar, na Madeira. O Elucidário regista aí a Capela de Nossa Senhora da Piedade e a casa senhorial do morgadio dos Couto Cardoso, fundado em 1730 e reconstruído em 1825.
- Ponta de São Lourenço
Machico. Promontório onde se situa o dique da Piedade.
A Ponta de São Lourenço é uma ponta longa e estreita no extremo oriental da Madeira, na freguesia do Caniçal. Diz-se que recebeu o nome da caravela São Lourenço e tem um farol num dos seus ilhéus. O Elucidário descreve a sua geologia, a vegetação sazonal, os ilhéus, as formações calcárias fósseis da Piedade, os caracóis terrestres e o seu uso como pastagem. O vapor Forerunner naufragou ali em 1884, e existe um banco submarino entre a ponta e as Desertas.
- Ribeira da Metade
Santana. O Ribeiro do Juncal situa-se no seu curso superior.
A Ribeira da Metade é um afluente da Ribeira do Faial, na Madeira. O seu vale pode ser observado dos miradouros do Ribeiro Frio, e o Ribeiro do Juncal situa-se no seu curso superior. Marcou um dos limites da sesmaria de Lançarote Teixeira. No seu barranco crescem as raras gramíneas Festuca albida e Anthyllis lemanniana, e foi proposta como local para o cultivo da quina.
- Ribeiro do Juncal
Machico. Apresenta um dique isolado com cerca de 45 m de altura e 18 m de largura.
Tem um dique isolado com cerca de 45 m de altura e 18 m de largura.
- Ribeiro dos Piornais
Funchal. Ribeiro entre o Caniço e o Funchal com um dique cortado na base.
Ribeiro entre o Caniço e o Funchal, com um dique cortado na base.