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Abreu (António de) 1Origem e viagem às Molucas
Artigo Nº 0011 Militar ou marinheiro Vol. I · pp. 9–11 4 min de leitura

Abreu (António de)

Biografia de António de Abreu, navegador e militar considerado madeirense, que serviu em Marrocos e na Índia, comandou a viagem às Molucas de 1511–1512 e, segundo alguns autores, poderá ter avistado a Austrália. O Arquivo Histórico da Madeira põe em dúvida que tenha nascido na Madeira.

Abreu (António de)

1Origem e viagem às Molucas

Foi este madeirense um dos portugueses que por terras do oriente mais se ilustraram na faina das conquistas e descobertas, tendo já antes, em Marrocos, dado assinaladas provas da sua notável coragem e valentia. Era filho de João Fernandes de Andrade, que ficou sendo conhecido por João Fernandes do Arco, por ter tido muitas terras de sesmaria no Arco da Calheta e haver sido o primeiro povoador desta freguesia.

Depois de ter militado em Marrocos, passou à Índia em 1511 e acompanhou Afonso de Albuquerque numa expedição ao Mar Roxo, onde muito se distinguiu. Tendo sido ali ferido, e querendo Albuquerque fazê-lo substituir no posto que ocupava, retorquiu ao grande capitão que se tinha as forças perdidas para pelejar e a língua impedida para mandar, ainda lhe restava a vida para perder e enquanto isso não acontecesse não largaria o lugar que ocupava.

Tendo assistido à tomada de Malaca, diz Pinheiro Chagas, foi pelo grande general português encarregado de ir reconhecer e explorar as Molucas, ilhas de cujas grandes riquezas se diziam maravilhas. Partiu António de Abreu com três navios, sendo capitão dum deles o próprio chefe da esquadrilha, do outro Francisco Serrão, e do terceiro Diogo Afonso. Bem artilhados, e levando 120 homens a bordo, partiram os três navios de António de Abreu, de Malaca em Novembro de 1515. Foram António de Abreu e os seus companheiros seguindo a costa da ilha de Samatra, e passando depois para a de Java, seguiram por Madeira, Bali, Sumbava, Solor e ainda Nova Guiné. Abordou, finalmente, António de Abreu a Amboino, e Francisco Serrão perdeu o navio em Ternate, mas salvou-se com a guarnição, e foi muito bem acolhido pelos naturais. Visitou, pois, António de Abreu as principais Molucas, e voltou trazendo riquissima carregação.

Mas Major, no notável trabalho, que com o título Vida do Infante D. Henrique, publicou a respeito das navegações portuguesas, vai mais adiante, e supõe que António de Abreu chegou às costas de Austrália. Há, efectivamente, um mapa de 1530, pouco mais ou menos, que marca um grande território com o nome de Grande Java, que fica fronteiro a Samatra, e em que estão incorporadas muitas das ilhas que nós sabemos que António de Abreu visitou, como é por exemplo Sumbava, e este território prolonga-se até altitudes e longitudes que já são da Austrália. Diz Major que antes de 1530 ninguém podia dar informações a respeito das terras longínquas da Oceania, senão António de Abreu que as visitou, e supõe com bastante verosimilhança, que muitas das ilhas dispersas no mar das Índias e no mar do Sul, e ainda o continente australiano, que parece ter chegado a ver, formassem um território único, sem solução de continuidade.

Assim, pois, não só António de Abreu teria descoberto as Molucas, mas teria sido também o primeiro português que houvesse visitado a Austrália, reconhecida positivamente um século depois por outro navegador português, Heredia.

2Últimos serviços e naturalidade

Voltando das Molucas, ficou António de Abreu como capitão de mar em Malaca, e auxiliou eficazmente a defesa dos portugueses contra tentativas de reivindicação dos antigos possuidores desse território, expulsos por Afonso de Albuquerque.

Regressou pouco depois ao reino, e tornou à Índia em 1526, nomeado capitão-mor de Malaca. Teve de invernar em Moçambique, e chegou no ano seguinte a Goa, onde encontrou as discórdias que se travaram entre Lopo Vaz de Sampaio e Pedro de Mascarenhas. Tomou o partido do primeiro, e até o auxiliou com dinheiro do Estado que trazia na sua nau. Figurou, porém, entre os mais moderados desse partido, e instou muito com Lopo Vaz de Sampaio para que não postergasse no debate com o seu competidor as fórmulas da justiça. Quando se resolveu que doze fidalgos, nomeados seis por cada contendor, decidissem a questão, foi António de Abreu um dos juízes escolhido por Lopo Vaz. Distinguiu-se muito em Malaca, quando governador da Índia D. Estevão da Gama.

Foi António de Abreu o único madeirense que verdadeiramente se tivesse distinguido como navegante e descobridor, deixando nome aureolado na história dos nossos descobrimentos marítimos. E todavia esse nome é quasi desconhecido neste arquipélago, sendo bastante para lamentar que cousa alguma recorde entre nós a existência deste ilustre filho da Madeira. É de supor que ainda justiça seja feita, reparando-se a falta que vem de séculos.

Fica aí a súmula do que se acha exposto em vários escritores acerca do guerreiro e navegador António de Abreu, corroborada pelos dizeres de alguns antigos nobiliários madeirenses, que o consideram como nascido nesta ilha e pertencente às nobres famílias dos “Andrades” e “Abreus”. Nos volumes I e IV da importante publicação Arquivo Histórico da Madeira, contesta-se a certeza dessa naturalidade com valiosos argumentos, que fazem suscitar dúvidas no espírito do leitor. Aqui o deixamos consignado, como uma simples indicação para aqueles que pretenderem averiguar melhor a veracidade dessa afirmativa.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 04
  1. António de Abreu foi para a Índia.

  2. António de Abreu partiu de Malaca com três navios para explorar as Molucas.

  3. António de Abreu regressou à Índia como capitão-mor nomeado para Malaca.

  4. Data de um mapa que representa uma «Grande Java» que Major relacionou com as viagens de António de Abreu.

Lugar

Lugares mencionados · 13

No estrangeiro

Mapa: Madeira (13)
  1. Amboino

    Indonesia. Ilha onde Abreu finalmente desembarcou.

  2. Arco da Calheta

    Calheta. Freguesia cujo primeiro povoador foi o pai de Abreu.

  3. Austrália

    Australia. Major considerava que Abreu poderá tê-la avistado.

  4. Goa

    India. Abreu chegou a Goa em 1527, no contexto das disputas entre os governadores rivais.

  5. Índia

    India. Abreu foi à Índia em 1511 e novamente em 1526.

  6. Java

    Indonesia. Ilha por onde Abreu passou na sua viagem.

  7. Malaca

    Malaysia. Abreu participou na conquista de Malaca, de onde partiu por mar e onde mais tarde exerceu o comando.

  8. Mar Vermelho

    Egypt/Saudi Arabia. Mar Vermelho, cenário da expedição de Albuquerque em que Abreu foi ferido.

  9. Marrocos

    Morocco. Local onde Abreu serviu primeiro como militar.

  10. Moçambique

    Mozambique. Local onde Abreu passou o inverno a caminho da Índia, em 1526.

  11. Molucas

    Indonesia. Ilhas das Especiarias, que Abreu explorou.

  12. Samatra

    Indonesia. Ilha ao longo de cuja costa navegou a armada de Abreu.

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Pessoas

Pessoas mencionadas · 11
  1. Navegador e militar considerado madeirense, que explorou as Molucas e mais tarde se tornou capitão-mor de Malaca.

  2. Comandante português na Índia sob cujo comando Abreu combateu e que o enviou a explorar as Molucas.

  3. Capitão do terceiro navio da armada de Abreu enviada às Molucas.

  4. Governador da Índia na época em que, segundo o artigo, Abreu se distinguiu em Malaca.

  5. Capitão de um dos três navios de Abreu; perdeu a sua embarcação em Ternate, mas foi aí bem recebido.

  6. Navegador português a quem se atribui a identificação inequívoca da Austrália, um século depois de Abreu.

  7. Pai de António de Abreu; foi o primeiro povoador do Arco da Calheta e possuía aí extensas terras de sesmaria.

  8. Um dos pretendentes rivais ao governo da Índia; Abreu apoiou-o e foi um dos juízes por ele escolhidos.

  9. Autor de uma biografia do Infante D. Henrique que sugeriu que Abreu chegou à Austrália.

  10. Escritor português cujo relato da viagem de Abreu é citado no artigo.

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  1. Rival de Sampaio na disputa pelo governo da Índia.

Na folha A

Vistos recentemente

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