Andrade
Artigo sobre a família Andrade na Madeira, fundada por dois irmãos fidalgos galegos que receberam terras no Arco da Calheta; um deles, João Fernandes do Arco, recebeu um brasão de armas em 1485 e instituiu um morgadio.
Os Andrades do Arco
Os irmãos João Fernandes de Andrade e Diogo Fernandes de Andrade, fidalgos de Galiza, foram os primeiros que para esta ilha vieram usando este apelido. Obtiveram muitas terras de sesmaria no Arco da Calheta e aí estabeleceram residência. D. João II, por alvará de 20 de Fevereiro de 1485, concedeu ao primeiro dos dois o uso das seguintes armas: “em campo de ouro um sagittario, metade do homem e metade do cavallo, o homem nú da sua cor, o cavallo entre muzello e castanho escuro com um arco armado nas mãos de vermelho e a corda de prata, a frécha empenada de verde, elmo de prata serrado, paquife de ouro e de verde e por timbre o meio sagittario com seu arco”.
Diogo Fernandes de Andrade vendeu a seu irmão os terrenos que possuía no Arco e foi para a Galiza reivindicar a posse duma herança que pertencera a sua mãe, o que não pôde conseguir por estar incorporada nos bens da coroa.
João Fernandes de Andrade, conhecido depois por João Fernandes do Arco, por ter vivido nesta freguesia e nela possuir muitas terras, instituiu uma casa vincular, que tinha como sede a capela de Nossa Senhora da Consolação. Faleceu a 9 de Abril de 1527 e ali foi sepultado, em cujo túmulo se lia o seguinte epitáfio: “Aqui jaz João Fernandes e Beatriz de Abreu, sua mulher, que foram os primeiros fundadores deste Arco”. A seu sobrinho, Fernão Dias de Andrade, filho do seu irmão Diogo, foi por D. João III por alvará de 17 de Abril de 1528, confirmado o brasão de armas passado a seu tio e que vem transcrito na íntegra no Nobiliario de Henriques de Noronha, de que existe uma copia na biblioteca do Funchal.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 03Lugar
Lugares mencionados · 04No estrangeiro
- Arco da Calheta
Calheta. Freguesia onde os Andrade possuíam terras de sesmaria e residiam.
O Arco da Calheta é uma freguesia do concelho da Calheta, criada em 1572 em torno da Capela de São Brás, cuja igreja conserva pinturas do século XVI. O Elucidário aborda os seus primeiros povoadores, como os Andrade, as propriedades açucareiras, as capelas, os morgadios, os tumultos de 1834 e 1887 e a irrigação pelas levadas do Rabaçal e do Pico da Urze.
- Biblioteca Municipal do Funchal
Funchal. Conserva um exemplar do Nobiliário de Noronha.
Biblioteca Municipal do Funchal, que recebeu cerca de 10 000 volumes dos irmãos Reid e onde João Joaquim de Freitas foi bibliotecário durante mais de trinta anos. Conserva manuscritos, incluindo cópias das Memórias e do Nobiliário de Noronha, um manuscrito atribuído a Dias Leite e uma cópia fotográfica do livro de Landi.
- Capela de Nossa Senhora da Consolação
Calheta. Sede do morgadio dos Andrade e local de sepultura de João Fernandes.
Sede do morgadio dos Andrade e lugar de sepultura de João Fernandes.
- Galiza
Spain. Terra natal dos irmãos Andrade.
Região fora da Madeira, terra natal dos irmãos Andrade e local onde desembarcou o governador deposto.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 07-
Mulher de João Fernandes de Andrade, mencionada com ele no epitáfio como fundadora do Arco.
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Rei de Portugal que concedeu armas a João Fernandes de Andrade em 1485.
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Rei de Portugal que confirmou as armas dos Andrade em 1528.
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Irmão de João Fernandes de Andrade; vendeu as suas terras no Arco e regressou à Galiza para reclamar a herança materna, sem sucesso.
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Filho de Diogo Fernandes de Andrade, que obteve de D. João III a confirmação das armas do tio em 1528.
- Henrique Henriques de Noronha1667–1730
Autor do Nobiliário em que se transcreve a concessão de armas aos Andrade.
- João Fernandes de Andradem. 1527
Fidalgo da Galiza, mais tarde conhecido como João Fernandes do Arco, que se estabeleceu no Arco da Calheta, recebeu armas em 1485 e instituiu um morgadio.