Pinto Coelho (Luis de Ornelas)
Biografia de Luís de Ornelas Pinto Coelho (1843–1920), jornalista e poeta autodidata do Funchal, redator durante muitos anos do Diário de Notícias e considerado o principal poeta madeirense do seu tempo. Dirigiu também a polícia civil do Funchal durante muitos anos.
Na freguesia de São Pedro desta cidade, nasceu Luís de Ornelas Pinto Coelho a 21 de Fevereiro de 1843, sendo filho de Joaquim Pinto Coelho e de D. Maria Carlota de Ornelas Pinto Coelho. Julgamos que não possuía diploma algum literario, ainda mesmo o da instrução primaria, mas soube suprir com um perseverante amor á leitura e ao estudo aquela deficiencia, chegando a ter entre nós uma verdadeira supremacia no campo literario e jornalistico. Teve uma vasta colaboração em muitos jornais madeirenses, nomeadamente no Diario de Noticias, podendo afirmar-se que neste periodico, como seu redactor, no periodo de algumas dezenas de anos, publicou muitos e muitos centenares de artigos, que dariam uma duzia de grossos volumes. Raramente enviava para o jornal qualquer escrito que não fôsse o artigo de fundo ou de polemica, tendo a sua prosa uma forma elegante e correcta, que despertava especial agrado. Sustentou rijas pugnas na imprensa, em que, como sempre acontecia então entre nós, as demasias de linguagem não eram raras entre as duas partes contendedoras.
Luís Pinto Coelho teve entre nós o primado da poesia. Embora dum lirismo um pouco antiquado e talvez fora da sua epoca, é certo que ninguém o excedeu na cadência harmoniosa do verso e na beleza impecavel da forma. Era sem contestação um inspirado e distinto poeta. Coligiu algumas das suas composições poeticas, publicando os volumes Harpa Madeirense, 1896, Folhas Dispersas, 1899, e o folheto em verso, a Reacção e o Progresso.
Esteve no Brasil ao tempo da guerra do Paraguay, tendo publicado diversas poesias no Diário do Grão Pará, e no Funchal desempenhou por largos anos o lugar de chefe do corpo da Policia Civil. A rua de João Joaquim de Freitas teve, antes de receber esta denominação, a de Luís de Ornelas Pinto Coelho. Morreu nesta cidade a 17 de Março de 1920.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 04Lugar
Lugares mencionados · 04No estrangeiro
- Brasil
Brazil. País onde viveu durante a Guerra do Paraguai e publicou poemas.
O Brasil é referido no Elucidário como um dos principais destinos dos emigrantes madeirenses, entre os quais vários clérigos e escritores. Foi também um mercado para o vinho e a aguardente da Madeira e produzia artigos de vime com vergas madeirenses. Ficou ligado à Madeira pelo cabo telegráfico de 1874 e é o país de origem do araçá.
- Funchal
Cidade onde dirigiu a polícia civil e morreu.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Rua João Joaquim de Freitas
Funchal. Rua do Funchal que anteriormente tinha o nome de Luís de Ornelas Pinto Coelho.
Rua do Funchal, anteriormente chamada Rua das Cruzes, que recebeu depois o nome de João Joaquim de Freitas. Antes disso, tivera o nome de Luís de Ornelas Pinto Coelho.
- São Pedro
Funchal. Freguesia do Funchal onde Pinto Coelho nasceu.
São Pedro é a mais populosa das quatro freguesias urbanas do Funchal e o local onde Zarco estabeleceu o primeiro povoado. A freguesia foi criada em 1566, extinta em 1579 e restabelecida em 1587. O Elucidário aborda as côngruas do clero, a construção da igreja, as capelas, as instituições notáveis e os limites da freguesia.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 04- Luís de Ornelas Pinto Coelho1843–1920
Jornalista e poeta autodidata do Funchal, redator do Diário de Notícias durante décadas e autor de Harpa Madeirense e Folhas Dispersas.
- João Joaquim de Freitas1832–1910
Pessoa cujo nome passou a designar uma rua do Funchal anteriormente chamada Luís de Ornelas Pinto Coelho.
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Pai do poeta e jornalista Luís de Ornelas Pinto Coelho.
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Mãe do poeta e jornalista Luís de Ornelas Pinto Coelho.