Moinhos
Descrição do monopólio dos capitães-donatários sobre a construção de moinhos de vento e de água na Madeira, uma importante fonte de receitas, e dos primeiros moinhos do Funchal e do Caniço.
Entre os privilégios concedidos aos donatários deste arquipélago, contava-se o de somente poderem eles construir moinhos ou azenhas, concedendo, quando o entendiam, licença para outros o fazerem, mediante uma tributação especial. Este privilegio constituía uma das mais abundantes fontes dos rendimentos dos capitães-donatários, que eram avultadíssimos. No sitio ainda hoje chamado dos Moinhos e pela margem direita da ribeira de Santa Luzia possuíam um numero considerável de azenhas, que chegaram até nossos dias, muitas das quais os marqueses de Castelo Melhor, em época não muito afastada de nós, davam de arrendamento a diversas pessoas. O largo dos Moinhos ou do Marquês conserva estes nomes, por ali ter havido varias azenhas, que eram propriedade da casa Castelo Melhor, na qual foi encorporada a instituição vincular dos donatários do Funchal.
Em carta ou instruções dirigidas pelo infante D. Henrique a João Gonçalves Zarco se diz: «... mandar a João Afonso que correja outra mó e se faça um moinho de agoa segundo o de Tomar». Afirma-se que foi no Caniço, fora do Funchal, o primeiro logar onde se construíu um moinho existindo ainda ali um sitio que tem o nome de Azenha.
Neste artigo
Lugar
Lugares mencionados · 07No estrangeiro
- Azenha
Santa Cruz. Sítio do Caniço cujo nome deriva do primeiro moinho.
A Azenha é um sítio do Caniço cujo nome poderá recordar aquele que se diz ter sido o primeiro moinho da Madeira. Ali encontram-se as ruínas de uma capela de Nossa Senhora do Socorro.
- Caniço
Santa Cruz. Local onde se diz ter sido construído o primeiro moinho da Madeira.
O Caniço é uma freguesia do concelho de Santa Cruz, situada na fronteira entre as capitanias do Funchal e de Machico. Entre os seus primeiros povoadores contavam-se Gaspar Rego, Vasco Fernandes Rego e Álvaro de Ornelas, cuja família aí instituiu morgados; o seu alcaide e juiz eram nomeados pelo Senado do Funchal. Na freguesia encontram-se a estátua do Garajau, a residência dos Jesuítas no Socorro e a Quinta do Barão da Conceição.
- Funchal
Capitania cujo morgadio dos donatários passou para a casa de Castelo Melhor.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Largo do Marquês
Funchal. Largo cujo nome deriva dos moinhos de água pertencentes à casa de Castelo Melhor.
O Largo do Marquês é um largo do Funchal, também conhecido por Moinhos, perto da capela de Nossa Senhora da Saúde. O seu nome deriva dos marqueses de Castelo Melhor, cujos moinhos de água nas proximidades foram demolidos em 1898. Situa-se numa das extremidades da Rua das Mercês e assinala uma das extremidades da antiga Rua dos Moinhos.
- Moinhos
Funchal. Sítio junto à ribeira de Santa Luzia onde os donatários possuíam muitos moinhos de água.
Localidade junto à ribeira de Santa Luzia onde os donatários possuíam muitos moinhos de água.
- Ribeira de Santa Luzia
Funchal. Ribeira em cuja margem direita se situavam os moinhos de água dos donatários.
A Ribeira de Santa Luzia é uma das três ribeiras que atravessam o Funchal e deve o nome a uma capela de Santa Luzia na sua margem esquerda. As suas margens terão sido as primeiras terras regadas por levadas e tinham quatro engenhos de açúcar no final do século XVII. Alimenta as levadas de Santa Luzia, dos Moinhos e de D. Isabel; na sua margem direita situava-se a residência dos Jesuítas na Fundoa.
- Tomar
Portugal. Cidade portuguesa cujo moinho de água serviu de modelo ao primeiro da Madeira.
Cidade portuguesa, sede da Ordem de Cristo, que tinha jurisdição eclesiástica sobre a Madeira. D. Diogo Pinheiro foi ali prior, morreu e foi sepultado na cidade. É apontada como possível terra natal de Zargo, cuja família ali possuía propriedades. As Cortes reuniram-se em Tomar em 1619; o seu moinho de água serviu de modelo ao primeiro da Madeira; e D. João Frederico da Câmara Leme morreu ali em 1878.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 03- Infante D. Henrique1394–1460
Príncipe português, o Infante D. Henrique, que instruiu Zarco a mandar construir um moinho de água segundo o modelo de Tomar.
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Homem a quem o Infante D. Henrique incumbiu, nas suas instruções, a preparação de uma mó.
- João Gonçalves Zarcom. 1467
Descobridor e primeiro capitão-donatário do Funchal, que recebeu as instruções do Infante D. Henrique para a construção de um moinho.