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Carreira de Tiro 1Primeiras tentativas
Artigo Nº 0817 Outro edifício Funchal Vol. I · pp. 483–485 4 min de leitura

Carreira de Tiro

Relato dos longos esforços para construir uma carreira de tiro militar na Madeira, finalmente localizada na Várzea, na freguesia de São Martinho, aprovada em 1912 e em construção a partir de 1917. Atribui sobretudo ao oficial madeirense Cândido Gomes o mérito da sua concretização.

Carreira de Tiro
Mapa: Madeira (3)

1Primeiras tentativas

De há muito se reconhecia a necessidade de uma carreira de tiro, que simultaneamente servisse para ministrar a instrução preparatoria de tiro ao alvo aos recrutas da guarnição deste distrito, ao aperfeiçoamento da instrução daqueles que já anteriormente tivessem sido encorporados e ainda para o aprendizado dos membros das associações de tiro civil, que porventura tivessem a organizar-se entre nós. Algumas tentativas se fizeram, que resultaram inteiramente infrutuosas. O acidentado do terreno, a intensidade das culturas agricolas e as dificuldades criadas por certos elementos preponderantes, não foram razões de somenos importancia que obstaram á realização daquele importante melhoramento, não contando ainda com os embaraços que no ministerio da guerra se levantaram para a concessão das verbas indispensaveis para o mesmo melhoramento.

O capitão de engenharia Carlos Roma e Maia e mais tarde o capitão Eduardo Pereira, juntamente com o tenente Jorge Camacho, organizaram dois projectos de carreira de tiro, tendo realizado varios trabalhos de campo, mas foram duas tentativas sem resultados apreciaveis.

Por 1904, conseguiu o comandante militar coronel Joaquim Maria Alves um subsidio da Junta Geral, da importancia de três contos de réis, tendo mais tarde a secretaria da guerra, a instancias daquele oficial, ordenado o estudo duma carreira de tiro, nomeando-se para esse fim uma comissão especial, que ficou composta do coronel de engenharia Abreu Nunes, coronel Bernardino Pereira, tenente-coronel Eduardo Pereira, capitãis Candido Gomes e Ricardo de Andrade, tenente Alberto Sarmento e tenente de artilharia

Antonio Joaquim dos Santos Pimenta. Esta comissão, depois de varios estudos e trabalhos, resolveu definitivamente que a carreira de tiro se construísse no sitio da Varzea da freguesia de São Martinho, mas não chegou a realizar trabalhos importantes e menos ainda a elaborar os respectivos projectos e orçamentos pelos entraves que diversas influências locais levantaram então á realização desse desejado melhoramento. Isto sucedia em 1909. Foi em Junho de 1911 que o ministro da guerra ordenou que se procedesse com urgencia ao estudo da construção da carreira de tiro, sendo então nomeada uma comissão composta dos capitãis Candido Gomes e Ricardo de Andrade, e tenente José Betencourt da Camara, que imediatamente e com o maior zêlo e actividade se dedicou a diversos trabalhos, tendo feito escolha do local da Varzea da freguesia de São Martinho, como apropriado para aquele fim e organizado sem grande demora o respectivo projecto, que mereceu a aprovação das estações superiores.

2Aprovação e construção

No mês de Outubro de 1912 autorizou o ministerio da guerra o inicio das obras, e ia finalmente a Madeira ser dotada com uma carreira de tiro, para a instrução militar da sua guarnição.

Reconhecendo-se que o projecto elaborado precisava de sofrer algumas modificações, foi nomeada uma nova comissão composta do major Ricardo de Andrade, capitão Antonio Agostinho Camara e tenente Carlos Ribeiro Pestana, que organizaram os ultimos e definitivos projecto e orçamento, que serviram de base á construção, sendo as despesas computadas então em 18:739$000 réis.

É a ocasião de pôr em relêvo a circunstancia de se dever principalmente ao distinto oficial e nosso patricio Candido Gomes a consecução deste melhoramento. Fazendo serviço na secretaria da guerra e conhecendo de perto a necessidade da carreira de tiro, a cujos estudos se tinha afanosamente entregado, conseguiu as dotações necessarias para a compra e expropriação do terreno indispensavel ao comêço dos trabalhos de construção, não deixando nunca de dispensar a sua valiosa cooperação e os seus bons oficios a favor da criação e funcionamento deste estabelecimento militar.

Os trabalhos de construção começaram de Março de 1917 sob a proficiente direcção do capitão de infantaria Antonio Agostinho Camara e têm prosseguido com a possivel actividade, devendo estar brevemente concluídos.

A carreira de tiro tem 450 metros de extensão, e com alvos á distancia de cem, duzentos, trezentos e quatrocentos metros, havendo linhas de tiro e sendo o fogo feito do sul para o norte. Levanta-se no local escolhido na Varzea da freguesia de S. Martinho, e, como sitio é bastante povoado, tornou-se indispensavel a construção de muitas obras de arte, para colocar a população circunvizinha inteiramente ao abrigo de todo o perigo que porventura pudesse haver por ocasião dos exercicios ao alvo. Informam-nos de que fica sendo uma das melhores carreiras de tiro do país.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 05
  1. O coronel Joaquim Maria Alves obteve da Junta Geral um subsídio de três contos para uma carreira de tiro.

  2. Uma comissão escolheu a Várzea para instalar uma carreira de tiro, mas a oposição local travou os trabalhos.

  3. O ministro da Guerra ordenou o estudo urgente de uma carreira de tiro, do qual resultou um projeto aprovado.

  4. O Ministério da Guerra autorizou o início das obras da Carreira de Tiro.

  5. Começou a construção da carreira de tiro de São Martinho.

Lugar

Lugares mencionados · 03
  1. Carreira de Tiro · Assunto

    Funchal

  2. São Martinho

    Funchal. Freguesia onde se situa a Carreira de Tiro.

  3. Várzea

    Funchal. Local escolhido para a Carreira de Tiro e por ela ocupado.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 13
  1. Coronel de engenharia da comissão especial da Carreira de Tiro, constituída após 1904.

  2. Tenente da comissão especial da Carreira de Tiro, constituída após 1904.

  3. Capitão de infantaria que ajudou a elaborar o projeto definitivo e dirigiu a construção a partir de 1917.

  4. Tenente de artilharia da comissão especial da Carreira de Tiro, constituída após 1904.

  5. Coronel da comissão especial da Carreira de Tiro, constituída após 1904.

  6. Oficial madeirense colocado no Ministério da Guerra, a quem se atribui o principal mérito na obtenção de verbas e terrenos para a Carreira de Tiro.

  7. Tenente da comissão que preparou o projeto definitivo e o orçamento da Carreira de Tiro.

  8. Capitão de engenharia que elaborou um primeiro projeto, sem sucesso, para uma Carreira de Tiro na Madeira.

  9. Oficial que preparou um primeiro projeto para a Carreira de Tiro e mais tarde integrou, como tenente-coronel, a comissão de 1904–1909.

  10. Comandante militar da Madeira que, por volta de 1904, obteve um subsídio de três contos de réis e um estudo do Ministério da Guerra para a Carreira de Tiro.

+ 3 mais
  1. Tenente que trabalhou num primeiro projeto para a Carreira de Tiro com o capitão Eduardo Pereira.

  2. Tenente da comissão de 1911 que elaborou o projeto aprovado para a Carreira de Tiro.

  3. Oficial que integrou as comissões da Carreira de Tiro de 1904–1909 e de 1911, bem como a comissão da revisão final.

Na folha C

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