Brito Rebelo (General Jacinto Inacio de) 1Obras e origem do nome de Machico
Brito Rebelo (General Jacinto Inacio de)
Entrada sobre o general Jacinto Inácio de Brito Rebelo, historiador natural de São Miguel que escreveu sobre a história da Madeira, nomeadamente A Descoberta da Madeira (1914). Resume as suas opiniões sobre a origem do nome Machico, Tristão Vaz, Colombo e o episódio de Barradas.
1Obras e origem do nome de Machico
É natural de S. Miguel e escreveu além doutros trabalhos, os seguintes: Casa dos Esmeraldos na ilha da Madeira (Ocidente, tomo II, n.º 75); D. Ayres de Ornelas e Vasconcelos (Ibid. tomo III, p. 3); e The Discovery of Madeira, que serve de introdução à obra do Dr. Alberto Figueira Jardim, intitulada Madeira (Lisboa, 1914).
Neste ultimo trabalho encontram-se algumas informações curiosas sobre certos pontos da nossa historia. Falando da origem do nome de Machico, dado a uma localidade da costa de leste da Madeira, diz o sr. Brito Rebêlo: Em 1894, por ocasião do 51 centenário do nascimento do infante D. Henrique, descobri o nome de um marinheiro chamado Machico, capitão do navio do rei D. Fernando, a quem este rei deu algumas casas... O marinheiro Machico, ou algum dos seus descendentes, deu casualmente o seu nome àquela parte da Madeira (Machico), e este nome originou mil conjecturas, todas igualmente sem fundamento. Com a revelação do facto que deixo apontado, ficou estabelecido que Machico era o nome de um marinheiro, e assim todas as disputas sobre tal nome cessaram, depois de haverem dado lugar a numerosas dissertações e conferencias em sociedades geográficas estrangeiras e na Sociedade de Geografia de Lisboa.
Não sabemos se Machico foi o primeiro a descobrir ou a desembarcar naquele porto. . . mas o que podemos estabelecer é que Machico foi o dono dum navio que esteve ancorado em Lisboa e amarrou aos muros da cidade, quando o rei de Castela D. Henrique cercou a mesma cidade. Ele devia ter feito várias viagens a diversas partes do mundo, pois que os navios são feitos para navegar, e Machico, o dono do navio, era um marinheiro categorizado.
2Tristão Vaz, Colombo e o caso Barradas
Supõe o Sr. Brito Rebelo que Tristão Vaz era um cavaleiro de origem estrangeira, talvez mais nobre do que Zarco, e quando se refere a Cristovão Colombo, diz que é muito problemática a estada dele na Madeira, sobretudo se a considerarmos como tendo durado por largo tempo.
Declara ainda o Sr. Rebelo ser falso o que narra Frutuoso a pag. 166 das Saudades da Terra acerca do castigo aplicado a Tristão Barradas, homem havido por fidalgo, e que este homem se chamava Diogo e não Tristão, e que não foi aferrolhado com huma braga moendo em hum moinho de farinha, mas preso pelas mãos e mutilado por ordem de Tristão Vaz, por haver abusado da hospitalidade que este lhe dera. Tristão Vaz não foi deportado para a ilha do Príncipe, mas obrigado simplesmente a pagar 40:000 reis, importância avultadissima para a época, pelo castigo bárbaro aplicado ao Barradas.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 02-
Durante o centenário henriquino, o general Brito Rebelo encontrou e publicou registos de um marinheiro chamado Machico, relevantes para a origem do topónimo.
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O livro de Alberto Figueira Jardim sobre a Madeira foi publicado em Lisboa com uma introdução de Jacinto Inácio de Brito Rebelo; Jaime Sanches Câmara publicou O Rufo em Lisboa.
Lugar
Lugares mencionados · 04No estrangeiro
- Lisboa
Portugal. Cidade sitiada por Castela onde estava fundeado o navio de Machico.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
- Machico
Localidade da costa leste cujo nome Brito Rebelo fez remontar a um marinheiro.
A freguesia de Machico foi o local do desembarque dos descobridores Zarco e Tristão Vaz e a sede da Capitania de Machico; foi criada cerca de 1450. O Elucidário aborda o seu clero e as respetivas côngruas, as capelas, os acontecimentos históricos, as fontes minerais, os sítios, a população e os naturais ilustres.
- Príncipe
São Tomé and Príncipe. Ilha para a qual, segundo Brito Rebelo, Tristão Vaz não foi deportado.
Ilha para onde se dizia que Tristão Vaz fora desterrado, afirmação contestada por Brito Rebelo. A entrada do Elucidário com este nome diz antes respeito à antiga Rua do Príncipe, no Funchal, posteriormente chamada Rua 5 de Outubro.
- São Miguel
Portugal. Ilha dos Açores onde nasceu Brito Rebelo.
Ilha dos Açores descoberta por Gonçalo Velho Cabral. A sua capitania foi comprada e governada por Rui Gonçalves da Câmara, filho de Zarco. Foi a terra natal de Brito Rebelo, e Frutuoso escreveu ali a sua obra em 1590; diz-se que as suas laranjas superam as da Madeira.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 12-
General e historiador natural de São Miguel que escreveu sobre o descobrimento e a história da Madeira.
- Aires de Ornelas de Vasconcelos1837–1880
Tema de um artigo de Brito Rebelo na revista Ocidente.
- Alberto Figueira Jardimn. 1882
Autor do livro Madeira (Lisboa, 1914), apresentado por um ensaio de Brito Rebelo.
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Navegador cuja longa permanência na Madeira Brito Rebelo considerava duvidosa.
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Nobre mutilado por ordem de Tristão Vaz por ter abusado da sua hospitalidade; segundo Brito Rebelo, chamava-se Diogo.
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Rei de Portugal que concedeu casas ao marinheiro Machico.
- Gaspar Frutuoso1522–1591
Cronista das Saudades da Terra, cujo relato sobre Barradas Brito Rebelo contestou.
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Rei de Castela que cercou Lisboa quando o navio de Machico ali estava atracado.
- Infante D. Henrique1394–1460
O Infante D. Henrique, cujo aniversário de nascimento, em 1894, motivou a investigação de Brito Rebelo.
- João Gonçalves Zarcom. 1467
Descobridor da Madeira, comparado a Tristão Vaz quanto à nobreza.
+ 2 mais
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Marinheiro e capitão de um navio de D. Fernando que Brito Rebelo propôs como origem do nome Machico.
- Tristão Teixeiram. 1470
Codescobridor da Madeira e capitão de Machico, que Brito Rebelo considerava de origem nobre estrangeira e que foi multado por ter castigado Barradas.