Branco (João de Freitas)
Biografia de João de Freitas Branco (1854–1910), políglota, crítico literário e tradutor nascido no Funchal, que deu a conhecer ao teatro português os principais dramaturgos escandinavos e alemães.
Nasceu nesta cidade a 5 de Agosto de 1854 e era filho do conselheiro Silvano de Freitas Branco e de D. Maria Cândida de Sant'Ana Branco. Cursou o liceu do Funchal e matriculou-se na faculdade de matemática da Universidade de Coimbra, que abandonou para completar a sua educação no estrangeiro e dar outra orientação aos seus estudos. Foi na Inglaterra, na França e especialmente na Austria que adquiriu um profundo conhecimento de algumas línguas estrangeiras, sendo considerado um dos nossos mais distintos poliglotas. Dedicou-se particularmente ao estudo das literaturas do norte da Europa e escreveu vários trabalhos de critica literária sobre Ibsen, Rudyord, Kipling, Maeterlinck etc., que foram muito apreciados. Nos ultimos anos da sua vida consagrou-se especialmente à literatura teatral, não só escrevendo algumas peças originais, mas também traduzindo e adaptando à cena portuguesa muitos dos mais aplaudidos dramas e comedias estrangeiras. Traduziu a Casa da Boneca e o Esteio da Sociedade, de Ibsen, Uma Fallencia, de Bjornson, os Penedos do Inferno, de Blumenthal, O Fim de Sodoma, de Sudermann, etc. Também traduziu a Aranha d'Ouro, Festa da Inauguração, O Califa Harum Al Rachid, Os Innocentes, O Gatuno, O Homem das Mangas etc. Foi ele que vulgarizou em Portugal os principais dramaturgos do norte da Europa, principalmente da Suécia, Dinamarca e Alemanha, que eram quasi desconhecidos entre nós.
A sua predilecção pelas cousas teatrais não o fez abandonar o estudo de outros assuntos literários e científicos, sendo tido como um homem de profunda ilustração em muitos ramos do saber humano. Morreu em Lisboa a 27 de Maio de 1910, tendo 55 anos de idade.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 02Lugar
Lugares mencionados · 06No estrangeiro
- Áustria
Austria. País onde completou a maior parte da sua formação.
Império de que Isabel, que permaneceu na Madeira, era imperatriz. João de Freitas Branco completou ali a maior parte da sua formação.
- França
France. Um dos países onde estudou línguas.
A França é um país onde vários madeirenses combateram e morreram na Primeira Guerra Mundial, entre eles Gabriel Rocha de Gouveia e João Paulo da Veiga Pestana. Foi também lugar de estudo, exílio e refúgio para madeirenses. De lá partiu a expedição que deu origem ao Saque dos Franceses, e era o destino pretendido pelos fugitivos da lenda de Machim.
- Funchal
Terra natal de João de Freitas Branco, onde frequentou o liceu.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Inglaterra
United Kingdom. Um dos países onde estudou línguas.
A Inglaterra surge no Elucidário como o primeiro grande mercado dos bordados da Madeira e o principal importador dos artigos de vime madeirenses. Era também a origem da maior parte da manteiga consumida no Funchal no início do século XIX. Foi um dos principais refúgios dos emigrados liberais que fugiam à perseguição miguelista, e vários madeirenses estudaram ou exerceram funções diplomáticas no país.
- Lisboa
Portugal. Local onde morreu em 1910.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
- Universidade de Coimbra
Portugal. Matriculou-se na sua Faculdade de Matemática, mas abandonou o curso.
A Universidade de Coimbra, em Portugal Continental, recebeu apoio da Madeira através de dízimos e foi frequentada por muitos madeirenses. Vários formaram-se ali, sobretudo em Direito, e outros, como António da Gama e Vitúrio Lopes Rocha, também ali lecionaram. Júlio Augusto Henriques ocupou a sua cátedra de Botânica.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 09- João de Freitas Branco1854–1910
Políglota, crítico e tradutor nascido no Funchal que divulgou o teatro do norte da Europa em Portugal; tema desta entrada.
-
Dramaturgo norueguês cuja peça Uma Falência Freitas Branco traduziu.
-
Dramaturgo norueguês cujas peças Casa de Bonecas e Os Pilares da Sociedade Freitas Branco traduziu e sobre as quais escreveu crítica literária.
-
Dramaturgo alemão cuja peça O Fim de Sodoma Freitas Branco traduziu.
-
Mãe de João de Freitas Branco.
-
Escritor belga sobre o qual Freitas Branco escreveu crítica literária.
-
Dramaturgo alemão cuja peça Freitas Branco traduziu com o título Os Penedos do Inferno.
-
Escritor inglês sobre o qual Freitas Branco escreveu crítica literária.
-
Conselheiro e pai de João de Freitas Branco.