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Atlantida (Ilha) 1A Atlantida de Platão
Artigo Nº 0338 Artes, literatura e historiografia Vol. I · pp. 197–199 3 min de leitura

Atlantida (Ilha)

Aborda a lendária Atlântida de Platão e teorias científicas posteriores sobre um continente submerso no Atlântico. Conclui que a Madeira e as ilhas vizinhas são formações vulcânicas independentes, e não vestígios de terras submersas.

Atlantida (Ilha)

1A Atlantida de Platão

Segundo Platão, o celebre filosofo grego da antiguidade, a Atlantida ficava situada aquém das Colunas de Hercules, era maior que a Africa e a Asia reunidas e desapareceu no espaço de um dia e de uma noite, em virtude de uma formidável convulsão do globo.

Por largo tempo se considerou como simplesmente fabulosa a narração de Platão, mas hoje que a ciência procura estabelecer o seu dominio até sobre os pontos mais recônditos do globo, pode dizer-se que se a existência da Atlantida não adquiriu ainda foros de verdadeira, também não pode ser considerada impossível.

Refere o Sr. Termier no numero 256 do Boletim do Instituto Oceanografico de Mónaco, que tendo rebentado no verão de 1898 o cabo telegrafico que vai de Brest ao cabo Cod, notaram os indivíduos encarregados de o levantar do fundo do mar, que ele se prendia com frequência em rochas de pontas agudas arestas vivas, de que as fateixas traziam alguns fragmentos. Recolhidos e estudados estes fragmentos, reconheceu-se que pertenciam a uma lava vitrea denominada traquilite, com a composição química dos basaltos, a qual no estado em que se apresentava, só podia ter consolidado sob a pressão atmosferica.

Como as rochas a que nos referimos fôssem encontradas a três mil metros de profundidade e a novecentos quilómetros ao norte do arquipelago dos Açores, concluiu o Sr. Termier dos factos que ficam apontados, que naquela região do globo deveria ter existido um continente que depois se submergiu, continente do qual bem poderia fazer parte o referido arquipelago, o qual está situado, como se sabe, na zona vulcanica atlântica. Entre a emissão das lavas e a submersão do mesmo continente deveria ter mediado um curto espaço de tempo, pois que do contrario teria a erosão atmosférica nivelado e aplanado a superficie das rochas.

2A Atlantida e a Madeira

Para o professor Eduardo Forbes, todas as ilhas do Atlântico deveriam ter estado unidas numa época recente á Europa ou á Africa, e para Unger e o Dr. Heer, a hipótese da existencia da Atlantida nada oferecia de extraordinaria, pois que só ela poderia explicar satisfatoriamente as afinidades notadas pelos naturalistas entre as produções das mesmas ilhas e as dos continentes próximos.

Demonstrada, porém, como está pelos notáveis trabalhos de Darwin, que não só muitas sementes de plantas, mas também certas espécies animais podem ser transportadas pelos ventos, pelas aves e até pelas correntes marítimas a grandes distancias, desnecessário nos parece recorrer ás referidas hipóteses para explicar a presença nos arquipelagos do Atlântico, de uma fauna e uma flora variadas.

A Atlantida de Platão parece-nos diferir um tanto da Atlantida concebida pelos naturalistas, mas quer consideremos com uma ilha essa região verdadeira ou fabulosa, quer como um prolongamento dos actuais continentes, o que parece certo é que a Madeira e as ilhas próximas nada têm que ver com ela. A estrutura geológica destas ilhas, a grande profundidade do mar que as rodeia e a ausência em todas elas dos pequenos quadrupedes que abundam nos continentes próximos, levam-nos a crer que o nosso arquipelago é uma criação independente, e não uma relíquia de vastos territórios agora submergidos.

O que dizemos acerca da Madeira, talvez tenha aplicação aos arquipelagos vizinhos, não obstante a opinião emitida pelo Sr. Termier a respeito da origem das ilhas dos Açores. Diz este geólogo que para haver o direito de afirmar que as ilhas Canárias são fragmentos de um continente submergido, seriam necessárias certas observações locais, não realizadas até o presente.

No nosso humilde entender a hipótese formulada por alguns geólogos de que os arquipelagos do Oceano Atlântico estiveram ligados á Europa, á Africa e talvez á América, num período geológico recente, não vai de acordo com o que se sabe acerca dos mesmos arquipelagos, muito embora seja licito acreditar que aquele mar banhou já vastissimas terras, que se submergiram numa época de ruínas e de cataclismos de que não é possível precisar o inicio nem a duração.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 01
  1. No verão, rompeu-se o cabo telegráfico Brest–Cabo Cod, e a sua recuperação trouxe à superfície fragmentos de lava do fundo do Atlântico.

Lugar

Lugares mencionados · 06
Mapa: Europa (5)
  1. Açores

    Portugal. Arquipélago perto do qual se encontrou a lava e que Termier considerava parte de um continente submerso.

  2. Brest

    France. Extremidade europeia do cabo telegráfico cuja reparação permitiu recolher as amostras de lava.

  3. Cabo Cod

    United States. Extremidade americana do cabo telegráfico rompido.

  4. Canárias

    Spain. Arquipélago vizinho cuja origem continental Termier considerava não demonstrada.

  5. Colunas de Hércules

    Spain/Morocco. Referência geográfica (estreito de Gibraltar) perto da qual Platão situou a Atlântida.

Pessoas

Pessoas mencionadas · 06
  1. Naturalista cujos estudos sobre a dispersão a longa distância de sementes e animais tornaram desnecessária a hipótese da Atlântida, segundo o Elucidário.

  2. Naturalista que defendia que todas as ilhas atlânticas tinham estado ligadas à Europa ou à África até uma época recente.

  3. Naturalista que, juntamente com Unger, considerou razoável a hipótese da Atlântida para explicar a flora e a fauna comuns.

  4. Filósofo da Grécia Antiga cujo relato está na origem da lenda da Atlântida.

  5. Geólogo que, com base em lava recolhida do fundo do Atlântico, defendeu que um continente se tinha afundado perto dos Açores.

  6. Naturalista que considerou a Atlântida uma explicação plausível para as afinidades biológicas entre as ilhas e os continentes.

Na folha A

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