Jardim de Oliveira (António) 1Carreira e serviço público
Jardim de Oliveira (António)
Biografia de António Jardim de Oliveira (1858–1926), advogado natural de São Vicente que foi deputado pela Madeira e secretário-geral do Governo Civil do Funchal durante quase três décadas, exercendo frequentemente as funções de chefe do distrito. Foi afastado em 1917 depois de ordenar o desembarque de milho durante a crise alimentar causada pela guerra, o que suscitou grandes manifestações públicas de apoio.
1Carreira e serviço público
Nasceu na freguesia de S. Vicente a 7 de Junho de 1858 e formou-se em direito pela Universidade de Coimbra, em 1883. Exerceu durante alguns anos a advocacia no Funchal e desempenhou entre nós diversas comissões de serviço publico, tendo sido também professor de legislação no liceu do Funchal.
A 30 de Março de 1890 foi eleito representante da Madeira em cortes, para a sessão legislativa de 1890 a 1892.
Nomeado Secretario Geral do Governo Civil do Funchal em 1890, abandonou a vida activa de advogado e quasi exclusivamente se consagrou ao desempenho das suas funções oficiais. Na falta, ausência ou impedimento dos Governadores Civis, inúmeras vezes teve ocasião até 1919, ano em que se aposentou, de desempenhar o cargo de chefe superior do distrito.
2A crise das subsistências e últimos anos
Embora adoptássemos por norma abster-nos de referências elogiosas aos vivos, não podemos deixar de aludir aos assinalados serviços que o conselheiro Dr. Jardim de Oliveira prestou á Madeira, sobretudo por ocasião da grave crise das subsistências por que passou esta terra, motivada pela conflagração europeia. Tendo ordenado, para afastar o espectro da fome, o desembarque de algumas toneladas de milho de uma embarcação portuguesa que chegara ao nosso porto em princípios de Agosto de 1917, não foi este acto aprovado pelas estações superiores, sendo logo nomeado Governador Civil e Comandante Militar o coronel Sousa Rosa e deixando por tal motivo a chefia do distrito o conselheiro Jardim de Oliveira. O facto causou a mais funda impressão de desagrado em todos os habitantes desta ilha e logo nos dias 7 e 9 de Agosto se realizavam duas imponentes manifestações de apreço e simpatia ao conselheiro Jardim de Oliveira, que tiveram a mais alta significação, por se terem a elas jubilosamente associado inúmeras pessoas de todas as categorias sociais, sem distinção de quaisquer facções de seita ou partido.
O conselheiro Jardim de Oliveira residiu alguns tempos em Lisboa depois de obter a sua aposentação, mas tendo regressado ao Funchal em 1921, exerceu aqui a profissão de advogado, da qual andara um tanto afastado em virtude das suas funções oficiais. Faleceu no Funchal a 31 de Maio de 1926.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 07-
António Jardim de Oliveira nasceu em São Vicente.
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António Jardim de Oliveira licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra.
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António Jardim de Oliveira foi nomeado secretário-geral do Governo Civil do Funchal.
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António Jardim de Oliveira foi eleito deputado pela Madeira para a legislatura de 1890–1892.
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Como chefe interino do distrito, António Jardim de Oliveira ordenou o desembarque de milho de um navio português para evitar a fome; a decisão foi desaprovada e foi substituído pelo coronel Sousa Rosa, o que motivou grandes manifestações de apoio no Funchal a 7 e 9 de agosto.
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António Jardim de Oliveira aposentou-se do Governo Civil.
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António Jardim de Oliveira regressou ao Funchal e retomou a advocacia.
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Jardim de Oliveira morreu no Funchal.
Lugar
Lugares mencionados · 04No estrangeiro
- Funchal
Local onde exerceu advocacia, desempenhou funções públicas e morreu.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Lisboa
Portugal. Local onde viveu durante algum tempo após se aposentar.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
- São Vicente
Local de nascimento de Jardim de Oliveira.
São Vicente é descrita como a maior e mais populosa freguesia do norte da Madeira e sede da única vila da costa norte. O Elucidário aborda o seu povoamento, a história da igreja, os sítios e a paisagem, bem como o deslizamento de terras de 1929, que causou vítimas mortais.
- Universidade de Coimbra
Portugal. Instituição onde se licenciou em Direito em 1883.
A Universidade de Coimbra, em Portugal Continental, recebeu apoio da Madeira através de dízimos e foi frequentada por muitos madeirenses. Vários formaram-se ali, sobretudo em Direito, e outros, como António da Gama e Vitúrio Lopes Rocha, também ali lecionaram. Júlio Augusto Henriques ocupou a sua cátedra de Botânica.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 02- António Jardim de Oliveira1858–1926
Advogado madeirense, deputado e secretário-geral do Governo Civil do Funchal durante muitos anos, biografado nesta entrada.
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Coronel nomeado governador civil e comandante militar do Funchal em agosto de 1917, substituindo Jardim de Oliveira como chefe do distrito.