Besouro
Descreve o inseto chamado «besouro» na Madeira, a borboleta-esfinge Macroglossa stellatarum, cujo voo se assemelha tanto ao de um colibri que um viajante julgou ter visto um na ilha. Aborda também a esfinge-da-corriola (Sphinx convolvuli), maior e conhecida localmente como «borboletão», e um uso coloquial da palavra.
O insecto conhecido na Madeira pelo nome de besouro, é a Macroglossa stellatarum, da ordem dos Lepidopteros. Aparece durante a tarde para sugar o nectar das flores, tornando-se por este facto um agente inconsciente da fertilização de várias espécies. Pelo seu tamanho e modo de voar, e pelo ruído que produz quando visita as flores, assemelha-se por tal forma ao beija flor, que houve já um viajante inglês que supôs ter visto esta pequena ave na Madeira.
A lagarta do besouro madeirense alimenta-se de espécie do género Galium, e nenhumas devastações causa portanto nas plantas das hortas e jardins. Quando bem saciada, entra na terra e transforma-se aí em crisalida de cor parda.
Depois de um artigo que o Sr. Dr. Nuno Silvestre Teixeira, distinto medico funchalense, publicou no Diário de Noticias há cerca de 25 anos, e em que eram indicados certos hábitos extravagantes dos besouros europeus, ficaram os madeirenses dando o nome de besouros aos indivíduos dotados de costumes idênticos aos que o referido medico atribuiu aqueles insectos. O besouro madeirense, embora exista na Europa, não tem semelhança nem afinidades algumas com o besouro europeu.
Á entrada da noite aparece com grande frequência nos jardins um outro Lepidoptero, muito maior e mais robusto que a Macroglossa e a que madeirenses chamam borboletão ou besouro. Este insecto, pertencente também aos esfingidios, é a Sphinx Convolvuli, cujas larvas se alimentam de folhas de batateira etc., etc. Os rapazes costumam apanhar os borboletões na ocasião em que pousam nas flores para sugar o nectar de que se alimentam.
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Pessoas mencionadas · 01- Dr. Nuno Silvestre Teixeira1847–1928
Médico do Funchal cujo artigo de jornal sobre os hábitos dos besouros europeus levou os madeirenses a usar «besouro» como alcunha para pessoas com hábitos semelhantes.