Fotografia
Breve história dos primórdios da fotografia na Madeira, onde, segundo o Elucidário, Vicente Gomes da Silva realizou, em 1848, as primeiras experiências fotográficas em território português. Seguiram-se outros estúdios e fotógrafos pioneiros.
As primeiras experiências fotográficas em terras portuguesas foram feitas na Madeira, por Vicente Gomes da Silva em 1848, estudando o daguerreótipo em chapa de cobre prateada, e trazendo-lhe depois de França, José Antonio Monteiro Teixeira, uma câmara e caixilho e foi este a primeira pessoa fotografada nesta ilha. O atelièr «Vicente» abriu na rua de João Tavira, á esquina sul da rua do Bispo, executando positivos em vidro colorido á mão, e em 1856 muitas pessoas atacadas já da terrível epidemia da cólera, foram ali, á pressa, fotografar-se para deixarem o retrato á família.
Quando a imperatriz viúva do Brasil esteve na Madeira, mandou a expensas suas João Francisco Camacho, estabelecido na mesma rua com oficina de encadernador, se aperfeiçoar em Paris, mas este aproveitando a sua estada naquela capital, tratou de aprender a arte fotográfica, e de regresso á Madeira em 1864, estabeleceu-se na rua leste do convento de S. Francisco, com atelier fotográfico, o qual foi o segundo que aqui existiu. S.
Em 1867 havia numa casa contígua ao antigo mercado de S. João uma fotografia pertencente a Jacinto A. de Freitas e Aluisio Betencourt, e antes disso, por 1863, uma senhora natural desta ilha e filha do engenheiro militar Antonio Pedro de Azevedo (V. este nome), executou vários trabalhos fotográficos, que foram muito apreciados nesta ilha. Chamava-se essa senhora D. Amelia Augusta de Azevedo e faleceu em Idanha, perto de Lisboa, a 20 de Novembro de 1914, com 70 anos de idade.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 06-
Vicente Gomes da Silva realizou as primeiras experiências fotográficas em território português, na Madeira.
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Uma epidemia de cólera, trazida pelo Regimento de Infantaria n.º 1, assolou a Madeira de julho a outubro de 1856, causando, segundo a tradição, cerca de dez mil mortes e deixando muitos órfãos. Álvaro Rodrigues de Azevedo, Luiz Albino Gonçalves e outros prestaram serviço durante a epidemia.
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Por volta de 1863, Amélia Augusta de Azevedo produziu fotografias muito admiradas na Madeira.
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João Francisco Camacho abriu o segundo estúdio fotográfico da Madeira.
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Um estúdio fotográfico de Jacinto A. de Freitas e Aluísio Betencourt funcionava junto ao mercado de São João, no Funchal.
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Amélia Augusta de Azevedo morreu na Idanha, aos 70 anos.
Lugar
Lugares mencionados · 08No estrangeiro
- Convento de São Francisco
Funchal. O estúdio de Camacho situava-se na rua a leste deste convento.
O Convento de São Francisco foi um convento franciscano fundado no Funchal em 1473 e assinalava o limite ocidental da cidade em 1508. A sua igreja foi demolida em 1865, e os seus objetos, livros, lápides e ossadas foram para o cemitério das Angústias, o museu e a Biblioteca Municipal. Os edifícios albergaram presos durante um breve período, até 1836, e a polícia em 1857.
- França
France. País de onde foi trazida a primeira máquina fotográfica.
A França é um país onde vários madeirenses combateram e morreram na Primeira Guerra Mundial, entre eles Gabriel Rocha de Gouveia e João Paulo da Veiga Pestana. Foi também lugar de estudo, exílio e refúgio para madeirenses. De lá partiu a expedição que deu origem ao Saque dos Franceses, e era o destino pretendido pelos fugitivos da lenda de Machim.
- Idanha
Portugal. Localidade perto de Lisboa onde morreu Amélia Augusta de Azevedo.
Localidade perto de Lisboa onde Amélia Augusta de Azevedo morreu.
- Mercado de São João
Funchal. Em 1867, havia um estúdio fotográfico junto a este mercado.
O Mercado de São João era um mercado do Funchal inaugurado em 1823, mais tarde conhecido como Feira Velha. Em 1867, havia um estúdio fotográfico ao seu lado.
- Paris
France. Cidade onde João Francisco Camacho aprendeu fotografia.
Capital francesa onde Franco de Sousa se estabeleceu e pintou «Ar livre», e onde Juvenal Honório de Ornelas se doutorou em Medicina em 1834. O Padre Luiz Gonçalves da Câmara estudou ali e conheceu Loyola; o Barão de Ornelas formou-se, exerceu a profissão e morreu na cidade.
- Rua do Bispo
Funchal. O estúdio «Vicente» situava-se na esquina sul desta rua com a Rua João Tavira.
Rua do Bispo é o antigo nome da Rua de Gomes Freire, no Funchal, devido à residência dos bispos e ao Paço Episcopal aí situados. O bispo D. Frei João do Nascimento morreu numa casa desta rua que mais tarde acolheu o liceu. A rua albergou também o Clube Recreio e Instrução e o estúdio fotográfico «Vicente», e foi atingida por um projétil em 1916.
- Rua João Tavira
Funchal. Rua onde abriu o estúdio «Vicente».
A Rua João Tavira é uma rua do Funchal por onde passou o cortejo do Soldado Desconhecido a caminho dos Paços do Concelho. Nela abriu o estúdio fotográfico «Vicente», e a rua foi iluminada para o quinto centenário do descobrimento da Madeira.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 08-
Coproprietário de um estúdio fotográfico junto ao antigo mercado de São João, em 1867.
- Amélia Augusta de Azevedo1844–1914
Madeirense que produziu fotografias muito admiradas por volta de 1863; morreu na Idanha, perto de Lisboa, em 1914.
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Coproprietário de um estúdio fotográfico junto ao antigo mercado de São João, em 1867.
- António Pedro de Azevedo1814–1889
Engenheiro militar, pai da fotógrafa pioneira Amélia Augusta de Azevedo.
- António Teixeira1795–1876
Trouxe de França uma máquina fotográfica para Vicente Gomes da Silva e foi a primeira pessoa fotografada na Madeira.
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Imperatriz viúva do Brasil que, durante a sua estada na Madeira, custeou a formação de João Francisco Camacho em fotografia, em Paris.
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Encadernador do Funchal que aprendeu fotografia em Paris e abriu, em 1864, o segundo estúdio fotográfico da Madeira.
- Vicente Gomes da Silva1827–1906
Pioneiro madeirense que realizou as primeiras experiências fotográficas em território português, em 1848, e abriu o estúdio «Vicente» no Funchal.