Feiticeiro do Norte
Manuel Gonçalves, o «Feiticeiro do Norte», era um camponês analfabeto do Arco de São Jorge que se tornou um célebre improvisador de versos populares cantados nas festas madeirenses. Morreu em 1927.
Manuel Gonçalves, nascido na freguesia do Arco de São Jorge em mil oitocentos e sessenta e tantos, mais conhecido pela alcunha de Feiticeiro do Norte, é um camponês analfabeto e sem grau algum de cultura, que, aproximadamente aos quarenta anos de idade, começou a revelar uma extraordinária aptidão para a composição e improvisação de trovas e cantigas populares, que logo alcançaram uma grande nomeada entre a gente dos campos desta ilha. Ao som dum rajão, numa melopeia monótona, cantava o Feiticeiro os seus versos, que, pela sua originalidade e pitoresco, e, sobretudo, pelo interesse que o assunto despertava, eram avidamente escutados e constituíam um dos grandes atractivos nos diversos arraiais da Madeira. De pequenas trovas e de ligeiros recitativos passou a mais desenvolvidas composições, muitas das quais foram impressas em folhetos avulsos, e entre estas podemos citar: Santo Antonio, Chegada de Suas Magestades, As Raparigas dos bordados, O Lavrador, A Cidade do Funchal, As Inundações, O meu galo preto, A antiguidade de meu pae, A vida do Feiticeiro do Norte escrita por ele mesmo, A Madeira, etc. etc. Manuel Gonçalves, animado pelo êxito das suas composições, foi ao Brasil, onde se demorou algum tempo, e entre os folhetos que ali imprimiu conta-se um intitulado Pedro Alvares Cabral.
Faleceu na freguesia do Arco de São Jorge no mês de Abril de 1927.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 01Lugar
Lugares mencionados · 03No estrangeiro
- Arco de São Jorge
Santana. Local de nascimento e morte do Feiticeiro do Norte.
Freguesia do concelho de Santana, na costa norte, separada de São Jorge em 1676 e sobre a qual se eleva o Pico do Arco de São Jorge (837 m). Ainda não tinha cemitério em 1862 e passou a ser julgado da comarca do Funchal em 1927. Está ligada à Boaventura por um caminho que atravessa a escarpa da Entrosa, e as suas florestas foram danificadas pelo incêndio de 1919.
- Brasil
Brazil. País onde permaneceu algum tempo e publicou folhetos.
O Brasil é referido no Elucidário como um dos principais destinos dos emigrantes madeirenses, entre os quais vários clérigos e escritores. Foi também um mercado para o vinho e a aguardente da Madeira e produzia artigos de vime com vergas madeirenses. Ficou ligado à Madeira pelo cabo telegráfico de 1874 e é o país de origem do araçá.
- Funchal
Tema de uma das suas composições.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 02- Manuel Gonçalvesm. 1927
Camponês e poeta analfabeto do Arco de São Jorge, conhecido como Feiticeiro do Norte, cujos versos cantados foram publicados em folhetos na Madeira e no Brasil.
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Navegador português, tema de um folheto que o Feiticeiro publicou no Brasil.