Correios 1Origens e correio assistente
Correios
História dos serviços postais na Madeira, desde a nomeação de um delegado do correio-mor em 1662 até à administração pelo Estado em 1852 e à reorganização conjunta dos serviços de telégrafos e correios em 1880, com dados sobre as receitas.
1Origens e correio assistente
O serviço regular no correio do Funchal parece datar de 1662, ano em que foi nomeado para a Madeira um tenente correio-mor, encarregado do “regimento e execução do porte das cartas”. É de crer que este funcionario fôsse subordinado ao correio-mor do reino e que só dele recebesse ordens, visto a administração dos serviços postais não estar nessa epoca a cargo do governo.
O oficio do correio-mor desapareceu em 1797, e em 13 de Maio de 1798 foi criado o correio da Madeira, que ficou a cargo de um administrador, tendo rendido 251$630 réis neste ano, 312$500 em 1800, 381$550 em 1810, 691$120 em 1820 e 1:160$830 em 1823. De 1798 a 1824 rendeu o correio a importancia de 14:606$066 réis.
Em 8 de Abril de 1805 foi ordenado, por decreto, que os correios da Madeira e Açores fossem anexados á Administração Geral dos Correios, mas esta anexação, segundo parece, não se fêz, visto em 18 de Abril de 1838 ter aparecido um novo decreto em que se suscitava a completa observancia do que fôra determinado no diploma anterior.
Os serviços postais no Funchal estiveram durante largos anos a cargo de um correio assistente, subordinado á Administração Geral dos Correios, mas não podemos precisar o ano em que esse logar foi criado.
O lugar de correio assistente era dado a quem o desempenhasse em condições mais vantajosas para o Estado, e as funções do individuo nomeado duravam três anos, findos os quais se abria novo concurso.
O correio assistente prestava fiança perante a Camara Municipal, cobrava os portes legais de toda a correspondencia e os premios dos objectos que segurava contra os riscos do extravio, e ficava obrigado a estabelecer correios subalternos, segundo as necessidades do serviço, regulando-se em tudo o mais pelas disposições do regimento de 5 de Abril de 1805 e instruções anexas.
O maior lanço oferecido em 1839 pelo lugar de correio assistente do Funchal foi de réis 1:030$000 anuais, moeda forte, devendo esta importancia ser paga aos trimestres vencidos, na Administração Geral dos Correios em Lisboa.
2Administração do Estado e reformas
O Decreto de 27 de Outubro de 1852 extinguiu os logares de correios assistentes e passou todos os estabelecimentos postais para a administração directa do Estado, sendo criado então o logar de director do correio do Funchal.
O referido decreto introduziu o uso das estampilhas, mas declarou facultativo este processo de franquia para a correspondencia interna trocada entre o continente do reino e as ilhas adjacentes, ou entre estas e aquele. As cartas estampilhadas pagavam 25 réis, até 3 oitavas de peso; os impressos 10 ou 20 réis até 1 onça de peso, conforme eram franquiados com selos ou não. As malas, para Inglaterra eram expedidas outrora pelo consulado inglês nesta ilha, o qual tinha também a seu cargo receber as malas que vinham daquele país e remetê-las para o correio do Funchal, depois das cartas terem sido separadas dos jornais e outros impressos. O consulado inglês encarregava-se da distribuição dos impressos; o correio português da distribuição das cartas, convindo notar que estas nada pagavam no Funchal, visto os expedidores terem satisfeito os respectivos portes nos correios inglêses. O porte das cartas para a Inglaterra era pago nos correios inglêses, e não no consulado britanico, no Funchal.
A convenção postal celebrada com a Inglaterra em 5 de Junho de 1859, regularizou o serviço da correspondencia trocada com aquele país e reduziu os portes que se pagavam pela transmissão das cartas.
A distribuição domiciliaria de correspondencia na cidade do Funchal começou em 1877. Em Lisboa já em 1805 existia esse serviço, sendo o porte das cartas pago então por quem as recebia. O correio no Funchal desde 1866 que emite vales pagaveis no continente, e desde 1852 que tem delegações nas cabeças de concelho. A Camara Municipal do Funchal subsidiou durante algum tempo o serviço de transporte da correspondencia entre a cidade e certos pontos da ilha.
Em 7 de Julho de 1880 foram reorganizados os serviços telegrafo-postais, ficando então juntos os correios, os telegrafos e os faróis. Em cada distrito administrativo ficou o serviço sendo dirigido por uma repartição denominada Direcção Telegrafo-Postal, e nas localidades que não eram cabeças de distrito, foram criadas estações.
Em 1886, 1892 e 1899 sofreram novas alterações os serviços telegrafo-postais, mas a reforma de 7 de Julho de 1880 é sem duvida a mais valiosa e importante que se tem realizado até o presente.
A receita dos correios da Madeira no ano económico de 1921 a 1922 foi de 832.043$00 e a despesa de 268.083$37.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 08-
Foi nomeado um lugar-tenente do correio-mor para a Madeira, dando início ao serviço postal regular.
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Foi criada a estação de correios da Madeira, dirigida por um administrador.
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Um decreto anexou os correios da Madeira e dos Açores à Administração Geral dos Correios.
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Um novo decreto tornou efetiva a anexação dos correios determinada em 1805.
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O serviço postal passou a ser administrado diretamente pelo Estado e foram introduzidos os selos de correio.
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Uma convenção postal com a Inglaterra regularizou os serviços de correio e reduziu as tarifas.
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Começou a distribuição domiciliária de correio no Funchal.
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Os serviços de correios, telégrafos e faróis foram reorganizados em conjunto.
Lugar
Lugares mencionados · 04No estrangeiro
- Açores
Portugal. Pelo decreto de 1805, os serviços postais dos Açores foram reunidos aos da Madeira.
Os Açores são um arquipélago atlântico que partilha espécies vegetais com a Madeira. O Elucidário regista a fixação de famílias madeirenses, como os Bettencourt, no arquipélago, a proibição dos vinhos açorianos na Madeira em 1801 e a importação de tabaco açoriano. Refere ainda a vinda de agricultores açorianos à Madeira para ensinar métodos de cultivo do milho.
- Funchal
Sede da estação de correios da Madeira.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Inglaterra
United Kingdom. A correspondência era trocada através do consulado britânico e ao abrigo de uma convenção de 1859.
A Inglaterra surge no Elucidário como o primeiro grande mercado dos bordados da Madeira e o principal importador dos artigos de vime madeirenses. Era também a origem da maior parte da manteiga consumida no Funchal no início do século XIX. Foi um dos principais refúgios dos emigrados liberais que fugiam à perseguição miguelista, e vários madeirenses estudaram ou exerceram funções diplomáticas no país.
- Lisboa
Portugal. Sede da Administração-Geral dos Correios.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.