Ananás (Ananassa vulgaris)
Descreve as duas variedades de ananás cultivadas na Madeira: uma de folhas lisas, cultivada em estufas, e outra de folhas espinhosas, que frutifica ao ar livre.
Existem na Madeira duas variedades de ananases, uma de folhas quasi sem espinhos, e a outra de folhas providas de espinhos fortes nas margens. Aquela só é cultivada nalgumas estufas, e é idêntica ao ananás açoreano, conhecido na Inglaterra pela denominação de “Smooth-leaved Cayenne”; esta floresce e frutifica bem ao ar livre em vários pontos da ilha, sendo, porém, os seus frutos ou soroses mais pequenos e ácidos que os da outra variedade.
O ananás de folhas espinhosas, que dizem ter sido importada da Africa, mas que existe também no Brasil e em outros países, aparece na Ribeira Brava, no Porto da Cruz, no Funchal, etc. As suas folhas são longas e muitas vezes manchadas de vermelho, e as suas espigas oblongo-cilindricas, dispostas sôbre um pedunculo ou caule provido de folhas curtas e avermelhadas. O perianto tem 6 divisões, sendo as três exteriores vermelhas e curtas, e as três interiores lilacineas, levantadas, estreitas, um pouco mais curtas que as bracteas.
O ananás frutifica geralmente desde Novembro até Janeiro, e floresce em Março e Abril.
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Lugar
Lugares mencionados · 05No estrangeiro
- África
Africa. Origem atribuída ao ananás de folhas espinhosas.
África é referida como destino de expedições madeirenses, soldados e condenados ao exílio, e como mercado de exportação da manteiga madeirense. Os exploradores Capelo e Ivens atravessaram o continente, e o Norte de África é apontado como região de origem da tamareira.
- Brasil
Brazil. País onde também ocorre a variedade espinhosa.
O Brasil é referido no Elucidário como um dos principais destinos dos emigrantes madeirenses, entre os quais vários clérigos e escritores. Foi também um mercado para o vinho e a aguardente da Madeira e produzia artigos de vime com vergas madeirenses. Ficou ligado à Madeira pelo cabo telegráfico de 1874 e é o país de origem do araçá.
- Funchal
Local onde cresce o ananás de folhas espinhosas.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Porto da Cruz
Machico. Local onde cresce o ananás de folhas espinhosas.
Freguesia da Costa Norte criada em 1577 e conhecida pelos seus vinhos de boa qualidade. Passou do concelho de Santana para o de Machico em 1852 e foi sede de uma capitania-mor. Era também um porto de pesca onde eram desembarcados alguns cachalotes.
- Ribeira Brava
Local onde cresce o ananás de folhas espinhosas.
A Ribeira Brava é uma das freguesias mais antigas da Madeira. Deve o nome à sua ribeira impetuosa e possui vila, porto e cais. O Elucidário aborda a sua igreja colegiada e as respetivas pinturas, o convento franciscano e as capelas, bem como a festa de São Pedro, com barco e dança das espadas. Regista também tumultos contra o sistema métrico e as mortes causadas por disparos das tropas sobre a população durante as eleições de 1884.