Salários
Descreve a forte subida dos salários dos trabalhadores madeirenses entre os anos anteriores à Primeira Guerra Mundial e cerca de 1921, num contexto de acentuado aumento do custo de vida, e apresenta uma tabela com a remuneração diária de vários ofícios.
Salários antes e depois da guerra
Tendo-se agravado dum modo extraordinário nos últimos tempos o custo da vida, viram-se forçados todos os indivíduos pertencentes às classes trabalhadoras a exigir uma melhor remuneração pelos seus serviços, visto não terem outra forma de manter a dignidade profissional e de satisfazer ás suas mais urgentes necessidades e de suas famílias. Há operários que auferem agora (1921) salários 20, 25 e 30 vezes maiores do que antes da guerra mas se considerarmos que o preço de todos os géneros de primeira necessidade subiu dum modo extraordinário, como se viu já a páginas 141 deste volume, que os prédios que se arrendavam outrora por 6 e 8 escudos mensais só se obtêm hoje por 300 e 400 escudos, que um fato ou um par de botas custam hoje 18 e 20 vezes mais do que outrora, etc., etc., deixam de causar surpresa as exigências das classes trabalhadoras, pois que temos de reconhecer o direito que lhes assiste de melhorar as suas circunstancias pecuniárias, para assim fazer face à crise terrível que o país atravessa, mercê dos erros e da incompetência dos nossos governantes (1921). Damos em seguida uma nota tão exacta quanto possível do que recebiam antes da guerra e recebem hoje varias classes trabalhadoras, convindo acrescentar que apesar das diferenças consideráveis que entre os antigos e os modernos salários existem, nunca aos indivíduos das mesmas classes falta trabalho nas condições por eles exigidas, qualquer que seja a natureza das suas ocupações o que é devido a circunstancias varias e muito principalmente a ter-se modificado bastante nos últimos tempos a situação económica duma baluarte da população madeirense.
SALÁRIOS
| Profissões | Em 1914 | Em 1924 |
|---|---|---|
| Carpinteiros | $80 a 1$00 | 18$00 a 25$00 |
| Pedreiros | $70 | 18$00 a 20$00 |
| Ajudante de Pedreiro | $50 | 10$00 |
| Pintores | $80 | 19$00 |
| Marceneiros | $70 | 18$00 |
| Serralheiros | $80 | 15$00 |
| Caiadores | $70 | 15$00 |
| Funileiros | $70 a 80 | 15$00 a 16$00 |
| Caldeireiros | $80 | 18$00 |
| Alfaiates | $80 a 1$00 | 25$00 a 30$00 |
| Sapateiros | $80 | 25$00 |
| Polidores | $70 | 16$00 |
| Bordadeiras | $18 a $24 | 5$00 a 8$00 |
| Ditas de consertos | $20 | 4$00 a 5$00 |
| Engomadeiras de bordados | $25 a $30 | 5$00 a 7$00 |
| Trabalhadores agrícolas | $45 a $50 | 10$00 a 12$00 |
| Esfregadores de casas | $50 | 12$00 a 15$00 |
A classe tipográfica recebe de ordinário os seus vencimentos mensalmente, tendo os compositores 400 a 500 escudos e os aprendizes 150 a 200 escudos. Antes da guerra, recebiam estes 4$50 a 7$00 e aqueles 18$00 a 20$00 mensalmente. Os proprietários das barbearias de 1ª. classe levam 2$00 pelo corte do cabelo e 1$00 pelo da barba, ao passo que os das de 2ª. classe levam 1$50 pelo cabelo e $75 pela barba. Antes da guerra, pagava-se o mesmo trabalho por $10 e $05 nas barbearias de 1ª. classe e por $05 e $03 nas de 2ª. Um padeiro recebe 70$00 por semana, quando antes da guerra tinha o vencimento de cerca de 30$00 mensais e um cozinheiro e uma criada exigem vencimentos que orçam respectivamente por 100$000 e 60$00 mensais, quando antes da guerra não recebiam mais de 10$00 a 12$00 e de 3$00 a 5$00, também mensalmente.
O que fica transcrito neste artigo refere-se inteiramente à situação que precedeu o ano de 1921.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 02-
Tomando como referência os preços e salários de 1914, antes da guerra, o custo de vida no Funchal subiu acentuadamente até 1921: os preços aumentaram entre sete e cinquenta vezes e o da lenha sextuplicou.
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A forte subida do custo de vida na Madeira após a guerra elevou alguns salários para valores 20 a 30 vezes superiores aos de antes da guerra e sextuplicou o preço da lenha, tornando mais difícil a vida de classes até então desafogadas.