Saltar para o conteúdo
Elucidário Madeirense Início
Artigo Nº 3278 Comércio, moeda e preços Vol. III · pp. 400–402 3 min de leitura

Salários

Descreve a forte subida dos salários dos trabalhadores madeirenses entre os anos anteriores à Primeira Guerra Mundial e cerca de 1921, num contexto de acentuado aumento do custo de vida, e apresenta uma tabela com a remuneração diária de vários ofícios.

Salários

Salários antes e depois da guerra

Tendo-se agravado dum modo extraordinário nos últimos tempos o custo da vida, viram-se forçados todos os indivíduos pertencentes às classes trabalhadoras a exigir uma melhor remuneração pelos seus serviços, visto não terem outra forma de manter a dignidade profissional e de satisfazer ás suas mais urgentes necessidades e de suas famílias. Há operários que auferem agora (1921) salários 20, 25 e 30 vezes maiores do que antes da guerra mas se considerarmos que o preço de todos os géneros de primeira necessidade subiu dum modo extraordinário, como se viu já a páginas 141 deste volume, que os prédios que se arrendavam outrora por 6 e 8 escudos mensais só se obtêm hoje por 300 e 400 escudos, que um fato ou um par de botas custam hoje 18 e 20 vezes mais do que outrora, etc., etc., deixam de causar surpresa as exigências das classes trabalhadoras, pois que temos de reconhecer o direito que lhes assiste de melhorar as suas circunstancias pecuniárias, para assim fazer face à crise terrível que o país atravessa, mercê dos erros e da incompetência dos nossos governantes (1921). Damos em seguida uma nota tão exacta quanto possível do que recebiam antes da guerra e recebem hoje varias classes trabalhadoras, convindo acrescentar que apesar das diferenças consideráveis que entre os antigos e os modernos salários existem, nunca aos indivíduos das mesmas classes falta trabalho nas condições por eles exigidas, qualquer que seja a natureza das suas ocupações o que é devido a circunstancias varias e muito principalmente a ter-se modificado bastante nos últimos tempos a situação económica duma baluarte da população madeirense.

SALÁRIOS

ProfissõesEm 1914Em 1924
Carpinteiros$80 a 1$0018$00 a 25$00
Pedreiros$7018$00 a 20$00
Ajudante de Pedreiro$5010$00
Pintores$8019$00
Marceneiros$7018$00
Serralheiros$8015$00
Caiadores$7015$00
Funileiros$70 a 8015$00 a 16$00
Caldeireiros$8018$00
Alfaiates$80 a 1$0025$00 a 30$00
Sapateiros$8025$00
Polidores$7016$00
Bordadeiras$18 a $245$00 a 8$00
Ditas de consertos$204$00 a 5$00
Engomadeiras de bordados$25 a $305$00 a 7$00
Trabalhadores agrícolas$45 a $5010$00 a 12$00
Esfregadores de casas$5012$00 a 15$00

A classe tipográfica recebe de ordinário os seus vencimentos mensalmente, tendo os compositores 400 a 500 escudos e os aprendizes 150 a 200 escudos. Antes da guerra, recebiam estes 4$50 a 7$00 e aqueles 18$00 a 20$00 mensalmente. Os proprietários das barbearias de 1ª. classe levam 2$00 pelo corte do cabelo e 1$00 pelo da barba, ao passo que os das de 2ª. classe levam 1$50 pelo cabelo e $75 pela barba. Antes da guerra, pagava-se o mesmo trabalho por $10 e $05 nas barbearias de 1ª. classe e por $05 e $03 nas de 2ª. Um padeiro recebe 70$00 por semana, quando antes da guerra tinha o vencimento de cerca de 30$00 mensais e um cozinheiro e uma criada exigem vencimentos que orçam respectivamente por 100$000 e 60$00 mensais, quando antes da guerra não recebiam mais de 10$00 a 12$00 e de 3$00 a 5$00, também mensalmente.

O que fica transcrito neste artigo refere-se inteiramente à situação que precedeu o ano de 1921.

Neste artigo

Tempo

Anos mencionados · 02
  1. Tomando como referência os preços e salários de 1914, antes da guerra, o custo de vida no Funchal subiu acentuadamente até 1921: os preços aumentaram entre sete e cinquenta vezes e o da lenha sextuplicou.

  2. A forte subida do custo de vida na Madeira após a guerra elevou alguns salários para valores 20 a 30 vezes superiores aos de antes da guerra e sextuplicou o preço da lenha, tornando mais difícil a vida de classes até então desafogadas.

Na folha S

Vistos recentemente

    As páginas que ler aparecerão aqui.