Desacato e Roubo na Igreja do Estreito
Relato do assalto e roubo sacrílego à igreja paroquial do Estreito de Câmara de Lobos, em novembro de 1829, e das penas de morte e degredo impostas aos culpados pela Relação de Lisboa em 1830.
Na noite de 6 para 7 de Novembro de 1829 foi arrombada a igreja do Estreito de Nossa Senhora da Graça de Câmara de Lobos, sendo roubados dali diferentes vasos sagrados, algumas coroas de prata, 1 cordão de ouro com a imagem de Nossa Senhora, 1 flor de prata com engaste de pedras encarnadas, 1 cruz processional, 2 lâmpadas de prata, etc. As partículas que se achavam no sacrario foram consumidas pelos ladrões.
Dos autores deste crime, 6 foram condenados por sentença da Relação de Lisboa, de 6 de Março de 1830 a serem garrotados no cais de Sodré, e 2 a degredo perpetuo para Africa. Os réus condenados á pena ultima foram os seguintes: José Marreiros, anspeçada de infantaria 2, Jacinto Fernandes, trabalhador, Manuel de Sequeira, trabalhador, Januario Soares, soldado de infantaria 13, João Rodrigues, o Espera Diabos, trabalhador, e José de Andrade, o Rangido, quadrilheiro, sendo o primeiro e o quarto naturais de Portugal e os restantes da Madeira.
Os três últimos réus, além da pena de garrote, foram condenados a serem arrastados desde a cadeia até ao patíbulo, devendo depois de mortos terem as cabeças cortadas, a fim de serem expostas em postes durante três dias.
Os réus condenados a degredo perpetuo foram Francisco de Sales Rodrigues, ourives, e Timoteo da Graça, trabalhador, ambos naturais da Madeira, tendo a relação comutado depois em sentença de degredo para a Africa, a sentença de morte proferida contra o réu José Marreiros.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 02-
A igreja do Estreito de Câmara de Lobos foi assaltada e dela foram roubados vasos sagrados e objetos de prata e ouro, num sacrilégio mais tarde punido com sete execuções.
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A Relação de Lisboa condenou os assaltantes da igreja do Estreito de Câmara de Lobos: seis à morte por garrote e dois a degredo perpétuo em África.
Lugar
Lugares mencionados · 04No estrangeiro
- África
Africa. Destino dos condenados a degredo perpétuo.
África é referida como destino de expedições madeirenses, soldados e condenados ao exílio, e como mercado de exportação da manteiga madeirense. Os exploradores Capelo e Ivens atravessaram o continente, e o Norte de África é apontado como região de origem da tamareira.
- Cais do Sodré
Portugal. Cais de Lisboa onde os assaltantes condenados deviam ser garrotados.
Cais de Lisboa onde os assaltantes condenados deveriam ser executados pelo garrote.
- Igreja de Nossa Senhora da Graça (Estreito de Câmara de Lobos)
Câmara de Lobos. Igreja paroquial assaltada em novembro de 1829, de onde foram roubados vasos sagrados e objetos de prata.
Igreja paroquial assaltada em novembro de 1829, da qual foram roubados vasos sagrados e objetos de prata.
- Lisboa
Portugal. Sede da Relação que condenou os culpados.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 08-
Ourives madeirense condenado a degredo perpétuo em África pelo roubo à igreja do Estreito em 1829.
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Trabalhador madeirense condenado à morte por garrote pelo roubo à igreja do Estreito em 1829.
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Soldado de Infantaria n.º 13, natural de Portugal Continental, condenado à morte pelo roubo à igreja do Estreito em 1829.
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Trabalhador madeirense conhecido por «Espera Diabos», condenado a ser arrastado, garrotado e decapitado pelo roubo à igreja do Estreito em 1829.
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Quadrilheiro madeirense conhecido por «o Rangido», condenado a ser arrastado, garrotado e decapitado pelo roubo à igreja do Estreito em 1829.
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Cabo de esquadra de Infantaria n.º 2, natural de Portugal Continental, condenado à morte pelo roubo à igreja do Estreito em 1829; a pena foi posteriormente comutada em degredo em África.
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Trabalhador madeirense condenado à morte por garrote pelo roubo à igreja do Estreito em 1829.
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Trabalhador madeirense condenado a degredo perpétuo em África pelo roubo à igreja do Estreito em 1829.