Correia Henriques (José Anselmo) 1Origem e carreira diplomática
Correia Henriques (José Anselmo)
Biografia de José Anselmo Correia Henriques (c. 1777–1831), diplomata e homem de letras nascido na Madeira, que representou Portugal junto das cidades hanseáticas e publicou poemas, peças de teatro, traduções e um periódico político em Londres.
1Origem e carreira diplomática
José Anselmo Correia Henriques nasceu na freguesia da Ribeira Brava pelos anos de 1777. Pertencia, embora por bastardia, a uma antiga e nobre familia desta ilha, sendo filho natural de Antonio João Correia Bettencourt Henriques e irmão de Fernando José Correia Brandão Bettencourt Henriques, Visconde de Torre Bela e ministro de Portugal na Prussia e na Suecia.
Não sabemos que habilitações literarias possuia José Anselmo Correia Henriques, mas para o exercicio dos cargos que desempenhou e escrever os livros que deu á publicidade, devera certamente ser um homem de não vulgar talento e de rara cultura intelectual. Tendo seguido a carreira diplomatica e sendo um desvelado cultor das letras, faria por certo o seu aprendizado nalgum curso superior ou ao menos no Colegio dos Nobres, onde então se ensinavam as linguas mortas grega e latina, as linguas vivas francesa, inglêsa e italiana, e historia, matematica, fisica, desenho, arquitectura, equitação, esgrima, etc.
Seguiu a carreira da diplomacia e apenas temos conhecimento de que nela houvesse exercido o logar de representante de Portugal junto das cidades hanseaticas, que, como geralmente se sabe, eram Hamburgo, Bremen e outras, que constituíam uma especie de confederação com representação diplomatica em quasi tôda a Europa. Muitas das suas produções literarias foram impressas em varias cidades europeias, e desta circunstancia se pode talvez inferir que nalgumas delas tivesse tido residencia como membro do corpo diplomatico e fizesse parte das legações de Portugal em diversas côrtes estrangeiras. É muito para acreditar que as obras editadas em Paris, Londres, Hamburgo, Veneza e Cristiania indiquem a permanencia mais ou menos demorada do seu autor nessas cidades, no exercicio de funções consulares ou diplomaticas.
Esteve no Rio de Janeiro, quando a côrte e o govêrno português se achavam ali estabelecidos, desempenhando alguns cargos de confiança junto do principe regente D. João.
2Obras literárias
Entre as obras de Correia Henriques mencionadas por Inocencio, destacaremos as suas Obras Poeticas, de que parece ter publicado apenas o primeiro tomo, os poemas herói-comicos A Padeira de Aljubarrota e Perodana, a tragedia Revolução de Portugal, a comedia Escola de Escandalo, e muitas outras, que, se não são obras primas no seu genero, revelam no entretanto apreciaveis aptidões literarias e uma grande cultura de espirito. Traduziu o poema Arte da guerra, de Frederico, rei da Prussia, e ainda outras obras, e também publicou em Londres, em 1821, um jornal politico a que deu o titulo de O Zorragar das côrtes novas. Faleceu em Lisboa em 1831 e era pai do primeiro conde do Seixal.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 03Lugar
Lugares mencionados · 06No estrangeiro
- Bremen
Germany. Uma das cidades hanseáticas junto das quais representou Portugal.
Uma das cidades hanseáticas junto das quais representou Portugal.
- Hamburgo
Germany. Cidade hanseática onde esteve acreditado e onde foram impressas obras.
Cidade hanseática onde José Anselmo Correia Henriques e o primeiro Visconde de Torre Bela exerceram funções diplomáticas. Vinhos madeirenses foram analisados nos seus laboratórios em 1914, e dali vieram donativos durante a fome de 1846–1847. Ali foram impressas várias obras, incluindo o livro de George Tams.
- Lisboa
Portugal. Local onde morreu em 1831.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
- Londres
United Kingdom. Cidade onde publicou um periódico político em 1821.
Capital britânica onde foram publicadas muitas obras inglesas sobre a Madeira, incluindo as dos du Cane, de Embleton e de Bloxam. Mason comparou a sua humidade com a do Funchal, e de lá veio artilharia para a Fortaleza de São Tiago. Acolheu o congresso de química aplicada de 1909.
- Ribeira Brava
Local de nascimento do biografado.
A Ribeira Brava é uma das freguesias mais antigas da Madeira. Deve o nome à sua ribeira impetuosa e possui vila, porto e cais. O Elucidário aborda a sua igreja colegiada e as respetivas pinturas, o convento franciscano e as capelas, bem como a festa de São Pedro, com barco e dança das espadas. Regista também tumultos contra o sistema métrico e as mortes causadas por disparos das tropas sobre a população durante as eleições de 1884.
- Rio de Janeiro
Brazil. Sede da corte portuguesa onde serviu o Príncipe Regente.
O Rio de Janeiro, no Brasil, surge no Elucidário como sede da corte portuguesa e como cidade onde muitos madeirenses viveram, estudaram, ensinaram, publicaram obras e morreram. Entre eles contam-se Paulo Perestrelo da Câmara, João de Oliveira Sá Camelo Lampreia e João da Silveira Caldeira, que dirigiu a Casa da Moeda na cidade.
Pessoas
Pessoas mencionadas · 06- José Anselmo Correia Henriquesc. 1777–1831
Diplomata e escritor nascido na Madeira, biografado nesta entrada.
-
Pai de José Anselmo Correia Henriques, seu filho natural.
-
Príncipe Regente de Portugal, em cuja corte no Rio de Janeiro o biografado exerceu cargos de confiança.
-
Visconde de Torre Bela e ministro de Portugal na Prússia e na Suécia; meio-irmão do biografado.
-
Rei da Prússia cujo poema A Arte da Guerra foi traduzido pelo biografado.
-
Bibliógrafo português cujo dicionário enumera as obras do biografado.