Enjeitados
História da assistência aos enjeitados na Madeira, cuja administração passou do bispo para o governador e, depois, para a Câmara Municipal do Funchal, enfrentando problemas recorrentes de financiamento.
Em 1583 ficou a administração dos enjeitados a cargo do Bispo, mas uma provisão regia, de 1685, passou esta administração para o Governador Geral. Desde 1693 que a superintendencia dos expostos está a cargo da Câmara, tendo porém durante largos anos o pagamento ás amas sido feito por um tesoureiro eleito anualmente pela casa dos Vinte e Quatro, o qual para esse fim e para o sustento dos lazaros, cobrava a têrça parte da renda da imposição do vinho. Em 7 de Maio de 1761 resolveu a Câmara do Funchal dirigir uma consulta ao Governo sobre se devia continuar a permitir que o aludido tesoureiro arrecadasse o terço da imposição, visto competir ao tesoureiro do Concelho a cobrança das rendas municipais.
Um alvará régio, de 1752, concedeu ás amas de expostos deste arquipelago os mesmos privilégios que usufruíam as de Lisboa.
Vê-se de antigos documentos que em 1811 a Câmara do Funchal lutava com falta de recursos para sustentar os expostos, e ainda no terceiro quartel do século XIX as amas não recebiam em dia os seus salários, o que levou muitas delas a venderem as suas contas por baixo preço a certos especuladores, que ganharam nesta transacção somas importantes.
A antiga roda dos expostos ou enjeitados estava no edifício da Santa Casa da Misericórdia, sendo aí que muitas mãis abandonavam os filhos, quando por falta de meios ou outra qualquer causa os não podiam criar.
Neste artigo
Tempo
Anos mencionados · 06-
A administração dos enjeitados foi confiada ao bispo.
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Provisões régias transferiram a administração dos leprosos e dos enjeitados para o governador-geral da Madeira.
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A Câmara Municipal do Funchal assumiu a superintendência dos enjeitados.
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Uma carta régia concedeu às amas dos enjeitados da Madeira os mesmos privilégios das de Lisboa.
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A Câmara Municipal do Funchal consultou o Governo sobre a cobrança, pelo tesoureiro, do imposto sobre o vinho destinado aos enjeitados.
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A Câmara Municipal do Funchal não dispunha de fundos para sustentar os enjeitados.
Lugar
Lugares mencionados · 03No estrangeiro
- Funchal
A sua Câmara Municipal ficou responsável pelos enjeitados a partir de 1693.
Capital do arquipélago e sede da principal capitania, onde teve início o povoamento; foi elevada a vila por volta de 1451–1452. A sua baía, a mais ampla do arquipélago, situa-se entre a Ponta do Garajau e a Ponta da Cruz e oferece um ancoradouro abrigado, embora o seu porto nunca tivesse sido estudado do ponto de vista oceanográfico. O Elucidário aborda o Funchal como estância de saúde, com dados climáticos, e regista os distúrbios de janeiro de 1906, a visita do príncipe dinamarquês em maio de 1846 e a existência de cones vulcânicos recentes na zona.
- Lisboa
Portugal. As amas madeirenses receberam os mesmos privilégios das de Lisboa.
Capital portuguesa, sede do tribunal da Relação e da Misericórdia cujos privilégios e estatutos foram estendidos ao Funchal. Henrique Franco de Sousa estudou na sua Academia Real de Belas-Artes, e Luiz José Baiardo mudou-se para a cidade em 1821.
- Santa Casa da Misericórdia do Funchal
Funchal. Albergava a antiga roda dos enjeitados.
Hospital de beneficência no Funchal que acolheu a antiga roda dos expostos e conserva um retrato em tamanho natural de D. Diogo Pereira Forjaz Coutinho, com uma placa comemorativa de uma nova entrada que mandou construir. Começaram ali obras para instalar um projetado museu oceanográfico, mas foram abandonadas; em 1921, foram expostas no local as insígnias da Cruz de Guerra de Carlos Elói Mota Freitas.